Clínicas ficou sem licitação durante 5 anos por esquema da Dopamina, diz delegado

Clínicas ficou sem licitação durante 5 anos por esquema da Dopamina, diz delegado

Milton Fornazari Júnior, da Polícia Federal, afirma que 82 pacientes deixaram de ser atendidos em favor de quem entrou na Justiça seguindo 'orientação' de cirurgião e de diretor-administrativo do maior complexo hospitalar da América Latina

Julia Affonso e Fausto Macedo

18 de julho de 2016 | 14h22

Milton Fornazari Junior. Foto: Reprodução

Milton Fornazari Junior. Foto: Reprodução

O delegado da Polícia Federal Milton Fornazari Junior afirmou nesta segunda-feira, 18, que houve um superfaturamento de cerca de R$ 90 mil em cada cirurgia investigada pela Operação Dopanima. A investigação da PF e do Ministério Público Federal apura fraudes na compra de equipamentos por servidores do Hospital das Clínicas de São Paulo para implante em pacientes com o Mal de Parkinson.

O médico-cirurgião Erich Fonoff e o diretor administrativo do setor de Neurocirurgia, Waldomiro Pazin, ambos do HC de São Paulo, maior complexo hospitalar da América Latina, teriam induzido pacientes a entrar com ações na Justiça para conseguirem cirurgias de implante com urgência.

A investigação aponta que uma vez concedida a ordem judicial, o equipamento necessário (marca-passo e eletrodos) era adquirido sem licitação, com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), de uma mesma empresa que teria remunerado o médico e o administrador, pela exclusividade obtida, por meio de serviços de consultoria falsamente prestados pelo médico à empresa.

“De 2009 a 2014 não houve licitação no Hospital das Clínicas para aquisição desse material e 82 pessoas deixaram de ser atendidas, deixaram de ter sua cirurgias em favor daqueles que entraram com ações judiciais”, afirma o delegado da PF.

Milton Fornazari Júnior apontou que o médico e o diretor administrativo teriam ‘vínculo comercial’ com fornecedores e com representante comercial da empresa. O esquema teria funcionado entre 2009 e 2014.

“Os equipamentos custavam em torno de R$ 20 mil. Com o superfaturamento e a dispensa da licitação, os equipamentos passavam a custar cerca de R$ 115 mil. Havia um superfaturamento de cerca de R$ 90 mil em cada cirurgia. Foram cerca de 200 cirurgias, tem-se o valor aproximado de superfaturamento e fraude detectado na investigação de R$ 18 milhões”, afirmou.

COM A PALAVRA, O HOSPITAL DAS CLÍNICAS

Em relação à operação da Polícia Federal, o Hospital das Clínicas da FMUSP informa que, desde fevereiro, vem colaborando com o MPF na apuração do caso, entregando todos os documentos e fornecendo todas as informações solicitados. Desde o início, o MPF pediu sigilo sobre o caso, de forma que o HCFMUSP não pôde iniciar apurações internas. Agora, será aberta uma apuração sobre o caso. O HCFMUSP segue à disposição do MPF e da PF para auxiliar nas investigações.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO MÉDICO ERIC FONOFF

‘A defesa do médico neurocirurgião, dr. Eric Fonoff, informa que ele mantém relacionamento técnico e científico com diversas empresas do segmento neurocirúrgico. Porém, como médico cirurgião, ele nunca deteve poder para influenciar o processo de compra de equipamentos no Hospital das Clínicas.’

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