Citado por delator, líder do PT no Senado anuncia que abre mão de sigilos

Em nota, senador Humberto Costa coloca à disposição dos investigadores dados bancários, fiscais e telefônicos e chama acusações de ex-diretor da Petrobrás de 'caluniosas'

Redação

23 de novembro de 2014 | 21h59

Por Fausto Macedo e Ricardo Brandt

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O senador Humberto Costa (PT-PE) anunciou neste domingo, 23, que abre mão do sigilo de suas contas bancárias e de outros dados pessoais para os investigadores da Operação Lava Jato. Em nota, o líder do PT no Senado afirmou que coloca espontaneamente “à disposição de todos os órgãos de investigação” informações financeiras e fiscais. E disse que libera também o histórico de chamadas telefônicas que fez e recebeu.

Humberto Costa foi citado pelo delator da Lava Jato, o engenheiro Paulo Roberto Costa. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás afirmou que o petista recebeu R$ 1 milhão para sua campanha em 2010, quando foi eleito o primeiro senador pelo PT de Pernambuco. A Lava Jato é uma investigação integrada da Polícia Federal e da Procuradoria da República sobre esquema de transferência de recursos para agremiações políticas, propinas e corrupção na estatal petrolífera.

Segundo Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão em regime domiciliar – primeiro benefício por ele recebido depois da colaboração –, o dinheiro para o senador lhe foi solicitado pelo empresário Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra), amigo de infância e doador de campanha do petista.

Paulo Roberto Costa disse que o dinheiro saiu da cota de 1% do Partido Progressista (PP), que tinha o controle político da diretoria de Abastecimento. Ele assumiu a unidade da estatal em 2004, indicado pelo ex-deputado José Janene, que foi líder do PP e morreu em 2010.

Segundo o delator, o PP decidiu ajudar a candidatura do petista, razão pela qual teria cedido parte de sua comissão. Ele declarou que corria o risco de perder a chefia de Abastecimento se não contribuísse para a campanha de Humberto Costa. O petista classificou as declarações do ex-diretor de “acusação caluniosa”. E declarou que Beltrão “nunca foi arrecadador ou financeiro de sua campanha”.

Na nota divulgada neste domingo, 23, Humberto Costa afirmou que “todas as doações de campanha de senador em 2010 foram legais e declaradas em prestação de contas à Justiça Eleitoral”. O líder do PT no Senado disse que suas contas de campanha foram aprovadas. “Causa espécie o fato de que, ao afirmar a existência de tal doação, o sr. Paulo Roberto Costa não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido.”

Para o senador, as denúncias envolvendo a Petrobrás devem ser feitas “com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas”. O petista disse ainda que espera com “absoluta tranquilidade” o pronunciamento da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre as acusações antes de tomar providências.

O empresário Mário Beltrão afirma que “jamais pediu um centavo para Paulo Roberto Costa”. “Nunca falei com ele sobre recurso de campanha. Minha relação com ele sempre foi institucional”

A delação está sob o crivo do procurador geral, Rodrigo Janot. Ele detém competência exclusiva para definir os rumos de denúncias contra políticos. Experiente em investigações sobre corrupção e improbidade, Janot tem se desdobrado na avaliação dos indícios apontados pelo delator.

Eventuais medidas de quebra de sigilo serão levadas por Janot ao Supremo Tribunal Federal, a quem cabe processar autoridades com prerrogativa de foro, como deputados e senadores.