Citado em gravação, secretário de Witzel nega favorecimento a empresário

Citado em gravação, secretário de Witzel nega favorecimento a empresário

Tristão confirmou, contudo, que foi advogado de Mário Peixoto antes de assumir a secretaria e que tem uma relação de amizade com ele

Marcio Dolzan/RIO

20 de maio de 2020 | 19h15

Citado em uma escuta telefônica obtida pelo Ministério Público Federal (MPF) na investigação que deflagrou a Operação Favorito, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais do Rio, Lucas Tristão, negou qualquer favorecimento ao empresário Mário Peixoto, preso na semana passada. Tristão confirmou, contudo, que foi advogado de Peixoto antes de assumir a secretaria e que tem uma relação de amizade com ele.

Na gravação, um filho de Mário Peixoto, Vinícius, conversa com a mãe e diz que testou positivo para o novo coronavírus. Ele diz considerar que foi infectado em um almoço ocorrido no mês passado na casa do pai, que tinha entre os convidados o “Lucas secretário”.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Lucas Tristão. Foto: Philippe Lima / Governo do Rio

Nesta quarta-feira, com leve tom de ironia, Lucas Tristão admitiu ter participado de um almoço na casa de Mário Peixoto. “Foi um almoço de domingo, de seis pessoas, sem aglomeração, sem desrespeitar decretos ou leis. Obedeci estritamente as orientações da OMS de higiene, uso de máscara e álcool em gel. Mantive distanciamento de um metro e meio”, afirmou, em entrevista coletiva no Palácio Guanabara.

O secretário rechaçou qualquer tipo de favorecimento a Peixoto, que tem contratos com o governo do Rio desde a gestão de Sérgio Cabral. “Fui advogado do Mário Peixoto, mas não advogo para mais ninguém desde 01 de janeiro de 2019. Agora advogo em favor do interesse social da política e economia do Rio”, disse. “O vínculo profissional virou de amizade, mas nunca tratei a coisa pública com improbidade. A minha idoneidade nunca foi posta em dúvida. Não sou investigado nem suspeito.”

Sobre o motivo do almoço, Tristão declarou que foi um ato comum. “Sou secretário de desenvolvimento econômico, e me relaciono com a sociedade civil organizada, presidente de federações, associações e também empresários. No campo pessoal, me relaciono com todos e não discuto com eles nada do governo, nada que não seja público e notório. A eficiência da pasta se deve justamente por não misturar a parte pessoal com o institucional.”

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