Ciro Nogueira e Dudu da Fonte são investigados por repasse de R$ 1,6 mi via contrato fictício

Ciro Nogueira e Dudu da Fonte são investigados por repasse de R$ 1,6 mi via contrato fictício

Polícia Federal faz buscas nos gabinetes e nos apartamentos residenciais do presidente nacional do PP (à esquerda) e do deputado

Breno Pires e Fabio Serapião/BRASÍLIA

24 de abril de 2018 | 09h56

Ciro Nogueira (à esquerda) e Eduardo da Fonte. Fotos: Lia de Paula / Agência Senado e DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira, 24, que tem entre os alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), tem relação com um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal em setembro passado, no âmbito da Lava Jato, para apurar repasses a políticos do Partido Progressista – do qual Nogueira é presidente.

Depois de um desmembramento no inquérito na semana passada, o que segue sendo investigado no inquérito é o repasse de R$ 1,6 milhão aos deputados federais Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Arthur Lira (PP-AL), Eduardo da Fonte (PP-PE) e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em 2011, por meio de um contrato fictício com a empresa KFC Hidrossemeadura, pertencente a Leonardo Meirelles e o grupo Queiroz Galvão.

Esses valores teriam sido operacionalizados por Henry Hoyer, que teria assumido o papel anteriormente desempenhado pelo doleiro Alberto Youssef, na operacionalização dos pagamentos de propina de esquemas criminosos na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás. Alberto Youssef e Leonardo Meirelles, ambos colaboradores, prestaram informações na investigação.

O inquérito não trazia informações sobre obstrução de justiça, mas fontes com acesso ao caso informam que um dos motivos da operação desta terça-feira é suposta obstrução de justiça.

A investigação inicialmente também apurava o repasse de R$ 2,7 milhões da empreiteira Queiroz Galvão sob disfarce de doações eleitorais oficiais ao Diretório Nacional do PP em 2010, para posterior distribuição a parlamentares. Uma decisão do ministro Edson Fachin na semana passada enviou a parte sobre os R$ 2,7 milhões para ser analalisada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, para apurar a participação de Francisco Dornelles, vice-governador do Rio de JAneiro, que não tem foro no Supremo.

Advogados de Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro afirmaram que os políticos não foram alvo da operação.

Em nota, o advogado Antonio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay, afirmou que a defesa do senador Ciro Nogueira está acompanhando as buscas que estão sendo realizadas na residência e no gabinete do Senador.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE CIRO

O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, declarou.
“O senador se encontra fora do Brasil, não sabendo em qual país e que não foi possível ainda falar com ele. Desconhece a defesa, até o presente momento, as razões da determinação judicial do Ministro Fachin. É certo que o senador sempre se colocou à disposição do Poder Judiciário, prestando depoimentos sempre que necessário e, inclusive, já foi alvo de busca e apreensão. Continuará a agir o senador como o principal interessado no esclarecimento dos fatos. No momento, a defesa aguarda contato com o Senador para poder ter o necessário instrumento de poderes que dará direito ao acesso aos fundamentos da medida de busca e apreensão.”

COM A PALAVRA, DUDU DA FONTE

O deputado Eduardo da Fonte disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “confia na Justiça e em Deus”. “Estou à disposição da Justiça sempre”, afirmou.

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