Cinco deputados estaduais de São Paulo são investigados por desvios de salários

Cinco deputados estaduais de São Paulo são investigados por desvios de salários

Em 7 anos, Ministério Público abriu 12 inquéritos que envolvem nepotismo e peculato; metade dos casos foi arquivada

Luiz Vassallo, Tulio Kruse, Paulo Beraldo e Carla Bridi

20 de janeiro de 2019 | 05h10

Alesp. FOTO ALEX SILVA/ESTADAO

Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), pelo menos cinco deputados são investigados pelo Ministério Público paulista sob suspeita de apropriação de salários. Os inquéritos envolvem Campos Machado (PTB), Aldo Demarchi (DEM), Clélia Gomes (Avante), Feliciano Filho (PRP) e Luiz Fernando Teixeira Ferreira (PT).

Deputado estadual Luiz Fernando Teixeira Ferreira (PT) Fotos:
Marco Cardelino/ALESP

Com exceção de Machado, que responde na esfera cível, todos estão implicados em investigações criminais. O parlamentar afirmou que se trata de “campanha orquestrada” que pode ser desmentida por seus funcionários.

Deputado Aldo Demarchi. Foto: Assembleia Legislativa de São Paulo

Nos últimos sete anos, o MP investigou pelo menos 12 casos de desvios de salários e funcionários fantasmas na Casa. Metade foi arquivada sob a alegação de falta de provas, e nenhuma ação foi oferecida até hoje.

DEPUTADA Clélia Gomes Crédito: Banco de Imagens da Alesp

Um caso recente envolve o deputado Luiz Fernando Teixeira Ferreira, sob suspeita de recolhimento de salários e nepotismo cruzado. Uma representação recebida pela Promotoria afirma que o deputado empregou, em seu gabinete, a irmã do vereador José Luiz Ferrarezi (PT), de São Bernardo do Campo. Ferrarezi, por sua vez, indicou a nora do deputado a cargo na Câmara Municipal da cidade. Promotores confirmaram que elas ocuparam os cargos.

Deputado Campos Machado FOTO ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

Na semana passada, Ferreira foi notificado pelo Tribunal de Justiça para prestar informações sobre o caso. Ele não é obrigado a comparecer. Questionado pelo Estado, classificou as denúncias como “anônimas, infundadas e caluniosas”. Por meio de nota, afirmou que tem conduta ilibada e está disponível para prestar os esclarecimentos necessários.

Deputado estadual Feliciano Filho. Foto: Acervo Pessoal

Outro caso, aberto em 2015, envolve o deputado Feliciano Filho. Uma funcionária do gabinete, ouvida pela Promotoria, relatou que foi obrigada a assinar uma declaração de doação à campanha de Feliciano, mas nunca doou o valor declarado.

Duas pessoas afirmaram ter feito doações às campanhas de Feliciano nas eleições de 2010 e 2014 de forma voluntária. A Justiça registrou que outros sete assessores registraram doações eleitorais, mas disseram ao Ministério Público do Estado que não foram coagidos.

Nos autos, o deputado Feliciano Filho nega qualquer irregularidade.

COM A PALAVRA, LUIZ FERNANDO TEIXEIRA FERREIRA

“Com respeito às denúncias apresentadas ao Ministério Público que citam meu nome, informo que as mesmas são anônimas, infundadas e caluniosas, sendo que, o mesmo objeto da referida denúncia já foram anteriormente analisadas e arquivadas pelo próprio Ministério Público, conforme promoção de arquivamento em anexo.

Tenho exercido a vida pública da mesma forma como exerço a particular, sendo reconhecido pela minha dignidade e conduta ilibada, por isso com muita tranquilidade tenho me mantido disponível para todo e quaisquer esclarecimentos necessários.” deputado Luiz Fernando

COM A PALAVRA, CAMPOS MACHADO

“A respeito de denúncia que mais uma vez vem à tona, baseada unicamente em uma carta anônima e desprovida de qualquer credibilidade, venho a público manifestar minha indignação com a volta do tema à mídia.

Trata-se de mais uma tentativa de denegrir minha honra e informações da assessoria do Procurador Geral, inclusive, dão conta de que o assunto já foi arquivado, por absoluta falta de provas.

É mais um lance de campanha orquestrada, que pode facilmente ser desmentida através de consulta a todos os funcionários, indistintamente, que comigo trabalharam, em mais de 28 anos de meus sete mandatos na Assembleia Legislativa paulista.

Renovo aqui o desafio que fiz a um promotor público, em entrevista à Rede Globo, há alguns meses: se ele apresentar uma prova que seja da veracidade dessa denúncia, anônima e covarde, ou o depoimento de algum funcionário meu que a confirme, eu renuncio ao meu mandato. E que, em caso contrário, ele renuncie ao seu cargo”.