Ciência de dados ajuda a construir ações eficazes no mundo do lobby

Ciência de dados ajuda a construir ações eficazes no mundo do lobby

André Rosa*

01 de julho de 2020 | 09h30

André Rosa. Foto: Divulgação

Vivemos hoje a era da informação digital e da Big Data. A todo tempo, trilhões de dados circulam no mundo inteiro através de meios tradicionais e, principalmente, da internet. A Big Data é uma área de conhecimento que estuda formas de analisar esses dados, trabalho impossível para qualquer ser humano sem tecnologia.

O Data Science ou Ciência de Dados é um dos campos da era da Big Data. Com ele, é possível uma análise detalhada de informações sobre qualquer assunto que circula no mundo. Para o universo do lobby, um prato cheio!

A Ciência de Dados possibilita a aplicação de dados para a geração de estratégias de inteligência política de forma assertiva e permite o cruzamento de informações a respeito de atores políticos. Na prática, essa tecnologia ajuda na identificação do voto de congressistas, a partir da análise de perfis de acordo com temas variados, e permite identificar quais parlamentares votam de forma parecida e quais votam de forma divergente. Assim, lobistas podem identificar o melhor deputado ou senador para construir um Projeto de Lei de forma eficaz.

Essa tecnologia trabalha com a análise de redes sociais baseada na extração de dados que ajudam a prever o comportamento dos políticos no Congresso Nacional. Ou seja, mapeando os atores corretos através de cruzamentos de dados e identificando o posicionamento através de um mapeamento eficaz, o lobista ganha agilidade para pensar a melhor estratégia e procurar os atores corretos. A ciência de dados, sem sombra de dúvidas, ajuda a economizar tempo!

O lobista tradicional pode sair da zona de conforto do modo clássico (sola de sapato) e passar a trabalhar de forma mais eficiente, aumentando ainda mais os resultados de suas equipes. O futuro das relações governamentais necessitará de profissionais mais versáteis, tanto quanto perfil comunicador, quanto pela articulação. O profissional deve ser ainda mais completo, e precisará dominar algumas tecnologias para manter-se em alto nível no mercado.

A captação e utilização desses dados já ocorre. Algumas empresas de monitoramento já têm ilustrado resultados positivos, tal como a SigaLei e outras plataformas que permitem mapear, cruzar dados e identificar ameaças. Os dados são extremamente eficientes como insumo para construção de análise política, o que reforçaria o caráter empírico dos cenários traçados. A ciência de dados pode abrir o horizonte para diversos cenários distintos baseados em evidências de inteligência. O que enriqueceria ainda mais, em nível de informação, os analistas políticos, os lobistas e até mesmo os assessores de parlamentares que buscam a melhor estratégia para a construção da política pública.

Para quem não é do universo da informação, ainda há dúvida sobre a legalidade do uso de dados por figuras políticas, assim como a contratação de profissionais da computação para o uso de tecnologias como Phyton e Power Bi na captação das informações.

Entretanto, a Lei de Acesso a Informação proporciona que os dados abertos sejam extraídos. Ou seja, se uma pessoa pode acessar livremente uma informação, ela pode ser utilizada, modificada e compartilhada para qualquer finalidade, estando protegida apenas pelas exigências que preservam a sua origem, os créditos da fonte.

Outros países já detêm esse tipo de ciência na atuação de lobistas. Estados Unidos e Reino Unido são bons exemplos. Grande parte do trabalho de lobistas nesses países está atrelada a questões tecnológicas. Há, inclusive, cursos de formação, tanto em Chicago, como em Washington e Londres, que têm, em boa parte da sua formação curricular, as habilidades de inteligência.

A ciência de dados chega para agregar ainda mais o trabalho dos lobistas experientes que atuam na ponta. A boa rede de contatos, a comunicação e a influência não perderão espaço, afinal de contas, são o principal instrumento para a política pública ganhar forma e operância. A tendência é que, nos escritórios de relações governamentais, a busca por profissionais de Tecnologia da Informação seja intensificada e, cada vez mais, os profissionais que já estão no mercado buscarão essa atualização na formação acadêmica.

*André Rosa é cientista político pela UnB, especialista em relações governamentais pelo Ibmec e mestrando em psicologia política pela UCB

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