Chiquinho da Mangueira escalou a mãe para pegar dinheiro do esquema Sérgio Cabral

Chiquinho da Mangueira escalou a mãe para pegar dinheiro do esquema Sérgio Cabral

Deputado estadual pelo PSC, preso na Operação Furna da Onça, depôs à Polícia Federal e contou que recebeu entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, parte em dinheiro vivo; valores, segundo o parlamentar, pagaram despesas da escola com o carnaval: 'Cabral é mangueirense'

Julia Affonso

19 Novembro 2018 | 13h08

O deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PSC) confirmou à Polícia Federal que recebeu dinheiro vivo de Sérgio de Castro Oliveira, o ‘Serjão’, apontado como operador financeiro do esquema de corrupção atribuído ao ex-governador Sérgio Cabral (MDB). O parlamentar, preso desde 8 de novembro na Operação Furna da Onça sob suspeita de receber um ‘mensalinho’ do grupo do emedebista, negou que o repasse fosse exatamente uma mesada. Ele afirmou que o dinheiro era destinado à Mangueira, com dificuldades de caixa.

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“Tratava-se de uma ajuda de um colaborador mangueirense para auxiliar nas despesas na Escola de Samba Mangueira, que atravessava momentos difíceis”, disse.

“Essas ajudas, que não eram mensais, eram de duas formas: em espécie para pagamentos de despesas com o carnaval e outras despesas eram pagas pelo próprio Serjão diretamente, todas relacionadas às despesas de carnaval.”

Chiquinho declarou que ‘nunca recebeu dinheiro em conta corrente, sua e de sua mãe’. O deputado, no entanto, afirmou que a mãe ‘pode ter recebido alguma quantia’ em sua ausência.

Segundo o deputado, o motivo dos pagamentos eram ‘despesas relacionadas ao carnaval’.

“Cabral também é mangueirense”, afirmou.

A Furna da Onça mira um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual que teria movimentado R$ 54,5 milhões. Os parlamentares investigados votariam de acordo com os interesses do ex-governador Sérgio Cabral, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e, em troca, receberiam “mensalinhos”, que podiam chegar a R$ 900 mil, e o direito de nomear apadrinhados para cargos em órgãos como o Detran-RJ e a Fundação da Infância e a Adolescência (FIA), e em empresas terceirizadas.

Chiquinho da Mangueira e outros deputados tiveram a custódia temporária convertida em preventiva pelo desembargador Abel Gomes na segunda-feira, 12. Em delação, Serjão relatou que parte da propina de R$ 3 milhões teria sido repassada ao deputado entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014 ’em atendimento, por Sérgio Cabral, a um pedido de Chiquinho para financiar o desfile de 2014, o primeiro carnaval à frente da Mangueira’.

O parlamentar afirmou que assumiu a presidência da Mangueira em 2013.

“Não se recorda do valor, mas foi de aproximadamente de R$ 2 a 3 milhões, patrocinado por uma empresa de Eike Batista”, disse.

No fim do depoimento, Chiquinho da Mangueira afirmou que se comprometia, ‘se assim for necessário, permitir a quebra de sigilo bancário e fiscal’.

“Seu patrimônio consiste em dois carros e um quarto dos imóveis recebidos por herança”, relatou.