Chefes do Ministério Público em todo o País dizem não ao ensino domiciliar

Chefes do Ministério Público em todo o País dizem não ao ensino domiciliar

Nota Técnica do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais sustenta que método é inconstitucional porque 'inexiste prerrogativa dos pais em optar pela exclusão dos filhos da ambiência escolar'; Supremo deve julgar recurso extraordinário nesta quinta, 30

Redação

29 de agosto de 2018 | 06h30

Foto: Clinton Cardozo/Free Images

O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG) emitiu Nota Técnica no âmbito do Recurso Extraordinário nº 888815, que decidirá se o ensino domiciliar pode ser considerado meio lícito de cumprimento, pela família, do dever de garantir a educação dos filhos. O julgamento do recurso no Supremo, que tem como relator o ministro Luís Barroso, deverá ser na quinta, 30.

Elaborada pela coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Direito à Educação, a promotora de Justiça Sandra Soares de Pontes, e acolhida na íntegra pelo Conselho, o documento sustenta que ‘inexiste prerrogativa constitucional dos pais em optar pela exclusão dos filhos da ambiência escolar, ou a faculdade de condicionar a frequência dos estudantes a ato discricionário da família’.
A Nota Técnica acrescenta, ainda, a manifestação que a prática do ensino domiciliar prejudicaria a socialização, ‘bem como inviabilizaria o processo de inclusão social do estudante, a partir da percepção e do aprendizado que se produz com as diferenças’.

O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público finaliza o documento sugerindo ao ministro-relator que sejam realizadas audiências públicas para ouvir ‘as opiniões de atores importantes do sistema educacional e jurídico brasileiro’.

Foram indicados os nomes do Conselho Nacional de Educação; Ministério da Educação; Conselho Nacional do Ministério Público, pela Comissão de Direitos Fundamentais; Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão -MPF; Movimento “Todos pela Educação”; Conselho Nacional de Dirigentes Estaduais de Educação (Consed); União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime); União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME); e o próprio Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, por seu Grupo Nacional de Direitos Humanos através da Comissão Permanente de Educação do Ministério Brasileiro (Copeduc).

O recurso que debate a questão do ensino domiciliar chegou ao STF em 2015 e teve origem em mandado de segurança impetrado pelos pais de uma menina, então com 11 anos.

A família recorreu de ato da Secretaria de Educação do Município de Canela (RS), que negou pedido para que a criança fosse educada em casa e orientou-os a fazer matrícula na rede regular de ensino, onde até então havia estudado.

O juízo da Comarca de Canela e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul consideraram válida a decisão da Secretaria de Educação municipal.

A decisão do STF terá repercussão geral, ou seja, deverá ser aplicada a todos os processos que tramitam no país sobre este assunto.

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