Chefes de Polícia Civil repudiam possível volta do Coaf ao Ministério da Economia

Chefes de Polícia Civil repudiam possível volta do Coaf ao Ministério da Economia

Robson Cândido da Silva, presidente do Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil, afirma que a medida poderia 'tirar o foco do combate à corrupção e à lavagem de dinheiro'

Luiz Vassallo

29 de abril de 2019 | 21h23

Reprodução

O Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil, que congrega 27 estados, afirmou, nesta segunda-feira, 29, repudiar a ‘tentativa’ de realocar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Economia. A nota é assinada pelo presidente da entidade, Robson Cândido da Silva, e afirma que a medida poderia ‘tirar o foco do combate à corrupção e à lavagem de dinheiro’.

Órgão responsável por relatórios de inteligência em torno de crimes de lavagem de dinheiro, o Coaf, originalmente, pertencia à Economia. A partir do governo Jair Bolsonaro (PSL), passou a integrar a pasta da Justiça e Segurança Pública, chefiada por Sérgio Moro.

Nesta quinta-feira, Estado mostrou que, em meio à negociação com deputados para garantir a aprovação da Medida Provisória 870/2019, que reestruturou os órgãos do governo e reduziu o número de ministérios, o presidente Jair Bolsonaro disse que “não se opõe” a transferir o Coaf de volta para o ministério da Fazenda. No mesmo dia, Moro afirmou que tentaria demover os parlamentares da proposta. Em seu Twitter, o ministro também defendeu a permanência do Coaf na Justiça.

Para os chefes de Polícia Civil, ‘tal medida tira o foco do combate à lavagem de dinheiro e à corrupção, essencial na contemporaneidade brasileira’. “A proximidade do COAF com os órgãos de segurança pública, especialmente Polícia Federal e Polícias Civis, responsáveis pelas investigações, facilita a formatação de conhecimentos de inteligência e dados e informações para as investigações criminais, qualificando o resultado dos Inquéritos Policiais”.

“As Polícias Civis consideram fundamental a integração orgânica do COAF junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e reforçam a necessidade de concretização da parceria firmada entre COAF e SENASP/MJSP em dezembro de 2018, possibilitando a integração de recursos humanos, troca de conhecimentos e evolução das investigações criminais de combate à corrupção e à lavagem de capitais”, afirmam.

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