Chefe do setor de inteligência da Receita é exonerado

Chefe do setor de inteligência da Receita é exonerado

Área é considerada sensível por auditores; mudança foi resultado de pressão interna por perfil técnico para cargo

Breno Pires e Adriana Fernandes

24 de setembro de 2019 | 21h48

FOTO: DIVULGAÇÃO

Antes mesmo de o novo secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, assumir o cargo, o chefe da área de inteligência do órgão, Ricardo Pereira Feitosa, foi exonerado da função, ontem, pelo subsecretário-geral da Receita, José de Assis Ferraz Neto.

A mudança era uma demanda de integrantes da cúpula da Receita Federal, que já pressionavam o então secretário Marcos Cintra a demitir Feitosa desde agosto, conforme noticiou à época o Broadcast/Estadão.

A área de inteligência da Receita é vista internamente como um setor sensível, motivo pelo qual os auditores defendem um perfil técnico para o cargo. Nomeado coordenador-geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal (Copei) em maio deste ano, Ricardo Feitosa seria uma indicação do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, segundo fontes ouvidas pelo Estado na condição de anonimato. A informação foi negada pelo ministro, que admitiu conhecer Feitosa de Cuiabá (MT).

Gilmar foi alvo de investigação interna do Fisco. Em carta ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, ele atribuiu a servidores do Fisco “abuso de poder” e pediu investigação.

A expectativa dos auditores é de que, após tomar posse, Tostes faça apenas alterações técnicas e consiga barrar interferências externas no órgão. Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que quer fazer uma “renovação” na Receita e que não quer o órgão envolvido em tumultos políticos. Ele citou reclamações de perseguição política da Receita por parte de autoridades do Legislativo e do Judiciário.

Antes de assumir o cargo, Feitosa era lotado na delegacia da Receita na capital mato-grossense. A Copei é uma das áreas mais poderosas da Receita, responsável pelas principais investigações e canal de interação com o Ministério Público nas operações de fiscalização e combate à corrupção. A coordenação teve papel importante nas investigações da Lava Jato.

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