Chefe de Comunicação de Guarulhos nega caixa dois a Guti

Em depoimento ao Ministério Público, Ernesto Zanon afirmou que pesquisa eleitoral publicada pelo jornal GuarulhosWeb não foi encomendada por apoiadores e agentes da campanha do então candidato Gustavo Henric Costa (PSB)

Luiz Vassallo

03 Agosto 2018 | 16h04

O Diretor de Assuntos para Imprensa da Prefeitura de Guarulhos, Ernesto Zanon, negou taxativamente suposto acerto para caixa dois na campanha do chefe do Executivo municipal, Gustavo Henric Costa, o Guti (PSB), em 2016, em depoimento à Promotoria Eleitoral na cidade. Ele prestou declarações nesta quarta-feira, 1, e juntou aos autos do inquérito documentos que corroboram com sua versão.

O caso, que foi revelado pelo Estado, é investigado na Justiça Eleitoral. A Promotoria de Guarulhos ficou incumbida de tomar depoimentos dos citados. A investigação nasceu com base em declarações do empresário Décio Pompeo Jr.

Ele afirmou à imprensa e ao Ministério Público que, à época em que era sócio oculto do jornal GuarulhosWeb – que também tinha Zanon como sócio oculto -, foi chamado por apoiadores e agentes da campanha do então candidato para que o veículo de imprensa recebesse um suposto pagamento por fora para custear pesquisas eleitorais.

Zanon rebateu a versão de Décio ao Ministério Público e disse que chegou a ouvir do empresário que ele iria “ferrar todo mundo!” após um conflito entre os sócios do jornal em que alegou ter se sentido prejudicado.

Ele afirmou, no início de seu depoimento, que ‘é jornalista e atualmente exerce o cargo em comissão de Diretor de Assuntos para Imprensa da Prefeitura Municipal de Guarulhos, Gustavo Henric Costa, conhecido como Guti’. “Na época da campanha eleitoral de 2016, trabalhava no portal de notícias pela internet “GuarulhosWeb”, além de ser sócio oculto da empresa, que estava em nome de sua esposa, Simone Singh Carlos, que havia sido constituída como empresa individual em 2015, mas ela não participava da administração e nunca foi à sede da empresa”.

Ele narra como Décio Pompeo passou a integrar a sociedade em 2014, quando ‘foi admitido como sócio oculto’. “Afirma que Décio Pompeo aportou recurso em 2014, na condição de sócio oculto do portal “GuarulhosWeb””.

Ele ainda mencionou ter recebido a ‘sugestão’ de um empresário e amigo de nome ‘Joel Reis para fazer e publicar pesquisa eleitoral no primeiro turno das eleições de 2016, mas achou que havia muitas pesquisas e o cenário estava muito confuso, além de estar envolvido como assessor do candidato a prefeito Carlos Roberto, do PSDB. “Por isso, resolveu não encomendar nenhuma pesquisa no primeiro turno”.

“Porém, no segundo, resolveu contratar e publicar pesquisas, sendo que a primeira pesquisa, no valor total de R$ 20 mil (pesquisa e veiculação), foi paga por seu amigo Joel Reis, que tinha interesse no negócio, sendo que o depósito do valor devido foi feito por Rosana”, afirmou.

Zanon afirmou então que ‘contratou a empresa Intereativa Pesquisas, sediada em Piracicaba, de propriedade de Alejandro Encuesta’.

“O declarante encomendou duas pesquisas, uma no começo e outra na véspera do segundo turno, pagando R$ 15 mil cada uma delas, as quais foram publicadas no portal “GuarulhosWeb” e em jornais impressos em duas edições. Os depósitos que aparecem no extrato da conta corrente de sua esposa Simone Singh Carlos, totalizando R$ 130 mil, não têm qualquer relação com as pesquisas”.

Afirmou ainda que o ‘valor foi objeto de um contrato de empréstimo que o declarante celebrado com o dono da empresa “Artefeita Artesanato”, sediada em São Bernardo do Campo, de propriedade de seu amigo Cristiano Horcel, que é jornalista, trabalhou com o declarante no jornal Tribuna de Guarulhos, e na revista Livre Mercado, e é pai de Beatriz Holim Horcel, que figura como sócia da empresa “Artefeita Artesanato LTDA”‘.

“Em garantia do empréstimo, foram dadas quatro notas promissórias, por sua esposa Simone, com aval do declarante e do sócio Danilo, porque Décio Pompeo Júnior não sabia dessa negociação e nem queria saber, dizendo “-Se vira!””, disse.

Ele ressaltou ter quitado ‘todas as notas promissórias, pagando os juros contratados’.

“Mas, os negócios não deram o resultado esperado e o declarante se viu endividado, sendo obrigado a colocar o portal à venda, o que se concretizou em setembro de 2017, pelo valor de R$ 900 mil, que foi pago da seguinte: R$ 300 mil no ato e 6 parcelas de R$ 100 mil”, narrou.

Segundo Zanon, o ‘valor seria rateado à base de um terço para cada um dos sócios ocultos do portal (o declarante, Décio Pompeo Jr. e Danilo Rogério Sanches)’.

“O portal foi vendido para Maria Carolina Schneider Massutani, que fez todos os pagamentos devidos, com a ressalva de que as duas últimas parcelas foram pagas apenas ao declarante e ao sócio Danillo, porque a compradora do portal alegava descumprimento do contrato por quebra de cláusula de não concorrência por parte do ex-sócio Décio Pompeo Jr., que montou o portal de notícias G7 News, similar ao GuarulhosWeb, e concorrente”, alegou.

De acordo com Zanon, ‘Décio entendia que não devia cumprir a referida cláusula contratual porque ele não constava como sócio do portal “GuarulhosWeb”, alegando o mesmo em relação ao portal G7 News, dizendo que também não figura como sócio do portal’.

O diretor de comunicação de Guarulhos ainda afirmou que a ‘partir do momento em que Décio não recebeu as duas últimas parcelas que entendia serem devidas, houve rompimento da relação de amizade entre o declarante e ele, o qual afirmou expressamente que ia “ferrar todo mundo!”‘.

E ainda reforçou que ‘as mencionadas pesquisas não foram solicitadas e nem custeadas pelo então candidato Guti ou por seus assessores na época’ e que ‘Léo Lago, embora fosse assessor de campanha de Guti, não tem nada a ver com os fatos aqui tratados’.

Documentos. Além de seu depoimento, Zanon juntou documentos, como a constituição da empresa que administrou o GuarulhosWeb, um instrumento particular de compra e venda da empresa celebrado entre Simone Singh Carlos, Maria Carolina Schneider Massutani, em que figuram como anuentes, além dele, Danillo Sanches, Décio Pompeo Jr.

Ainda apresentou ao Ministério Público cópias de notas promissórias do empréstimo entre Simone Singh e a empresa ArteFeita, de Cristiano Horcel, cópias dos registros de pesquisas eleitorais, notas fiscais emitidas pela empresa Interativa, que realizou a pesquisa eleitoral, cópias das edições impressas do jornal e folhas com o teor de pesquisas publicadas pela concorrência.

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