Chambinho aponta Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, como ‘beneficiário de repasses’

Em depoimento à PF, ex-vereador petista Alexandre Romano, preso na Pixuleco II, citou ainda ex-ministro de Lula Luiz Gushiken e João Vaccari

Redação

17 de agosto de 2015 | 19h30

Alexandre Romano foi preso na 18ª fase da Lava Jato. Foto: Reprodução

Alexandre Romano foi preso na 18ª fase da Lava Jato. Foto: Reprodução

Por Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Ricardo Galhardo

O ex-vereador do PT Alexandre Romano, o Chambinho – suspeito de ser o mais novo operador de propinas da Operação Lava Jato – declarou à Polícia Federal que o ex-tesoureiro do partido Paulo Ferreira foi beneficiário de repasses. Romano foi preso temporariamente por suspeita de receber R$ 40 milhões em propinas.

“Paulo Ferreira, ex-secretário de Relações Institucionais do PT, lhe procurou, de forma autônoma, pedindo repasses ao escritório Portanova para “ajudá-lo”; que apenas sabe que o beneficiário final dos repasses foi Paulo Ferreira”, afirmou Chambinho, em depoimento que prestou na sexta-feira, dia 14.

Casado com Teresa Campello, ministra do Desenvolvimento Social do governo Dilma Rousseff, “Paulo Ferreira já sabia do contrato da Consist (Software) porque o declarante já havia comentado com ele sobre o contrato, especialmente porque estava preocupado com a situação do contrato”, explicou o ex-vereador petista.

“Ajudou Paulo Ferreira de forma ‘pessoal’ e que solicitou a ele que indicasse uma pessoa jurídica para quem pudesse emitir a nota fiscal.”

Alexandre Romano afirmou à PF que intermediou um contrato entre a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (SINAPP) e a Consist Software, por meio da qual teriam transitado valores de propina para o ex-vereador.

Ex-vereador do PT, em Americana, Romano foi alvo da Operação Pixuleco II, 18º capítulo da Lava Jato, deflagrada na quinta-feira, 13,

Governo Lula. No depoimento, Romando afirmou também que, em 2010, o ex-secretário de Comunicação do governo Lula Luiz Gushiken – morto em 2013 – sugeriu a ele que procurasse o então tesoureiro do PT João Vaccari Neto para que repassasse à legenda parte de seus honorários como intermediador de contrato relativo a empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento.  

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O ex-vereador relatou à PF que Gushiken também prestava consultoria ao SINAPP e disse a ele que “tinha outra oportunidade negócio”. Ex-ministro do governo Lula, morreu em setembro de 2013.

“Caberia ao declarante encontrar uma solução para a questão dos créditos que os bancos tinham por conta de deficiências do sistema informatizado de crédito consignado”, declarou Romano à PF.

“Pela proposta oferecida por Gushiken, todas as empresas ligadas ao SINAPP lhe pagariam 10% da dívida se ele achasse uma solução, seja aumentando a margem legal para 40%, seja atuando para que uma empresa de tecnologia resolvesse esse problema com um software, mas que os 10% só seriam devidos na primeira alternativa.”

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Romano declarou que a partir de agosto de 2010 passou a receber remuneração da Consist com relação aos contratos firmados com os bancos filiados a ABBC e ao SINAPP.

“Em abril de 2010, tinha ido até o escritório de Gushiken (na Padre João Manoel, nos Jardins, em São Paulo/SP) para oferecer a ele algum tipo de participação no contrato, uma vez que havia cabido a ele conseguir a oportunidade de negócio”, relatou o ex-vereador.

“Gushiken se mostrou surpreso, mas que o declarante acredita que tal oferta foi importante para ressaltar sua lealdade, inclusive para conseguir a ele outras oportunidades.”

Nessa ocasião, segundo Chambinho, o ex-ministro de Lula ‘pediu para pensar sobre o assunto e algumas semanas depois disse ao declarante para que ele procurasse João Vaccari na sede do PT em São Paulo’.

“Logo na sequência procurou João Vaccari, a quem conhecia apenas  socialmente, ocasião em que sugeriu ao declarante que ajudasse financeiramente o Partido dos Trabalhadores; que o declarante não achou a solicitação adequada, uma vez que queria retribuir a Gushiken, não ao partido, já que o PT não havia colaborado de nenhuma forma no contrato”, disse.

Romano afirmou que retornou a Gushiken e disse que não iria contribuir ao PT, ‘momento em que Gushiken disse que então iria pensar em quem iria representá-lo’.

“Posteriormente, Gushiken lhe chamou novamente e lhe indicou duas empresas,” – entre elas um escritório de advocacia sediado em Curitiba – “as quais seriam beneficiárias dos valores devidos a Gushiken”.

Chambinho afirma que ‘nunca pagou qualquer valor a João Vaccari’.

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