CGU investiga agentes acusados de receber ingressos da Copa devido a ‘cargo estratégico’

CGU investiga agentes acusados de receber ingressos da Copa devido a ‘cargo estratégico’

Controladoria-Geral da União abriu processo administrativo para apurar violação de normativa que proibia servidores de aceitar convites, ingressos, transporte e hospedagens de empresas durante a Copa do Mundo no Brasil

Paulo Roberto Netto

25 de novembro de 2019 | 22h04

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processo administrativo contra agentes federais acusados de receber presentes da Telefônica Brasil durante a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo de 2014 em razão de seus cargos. A ação é desdobramento de acordo milionário firmado pela empresa com autoridades norte-americanas em função de supostos crimes praticados no Brasil.

Maracanã recebe partida de Espanha x Chile pelo Grupo B da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Foto: Filipe Araújo / Estadão

O acordo firmado pela Telefônica e a Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (Securities and Exchange Commission, em inglês), órgão homólogo à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil, aponta que a empresa distribuiu ingressos de jogos a representantes do governo e agentes públicos com cargos estratégicos para os negócios da empresa.

O objetivo das benesses seria supostos benefícios em transições realizadas pela Telefônia no Brasil.

De acordo com a CGU, a ação dos servidores ao receber os brindes violou orientação normativa publicada em 2014 no Diário Oficial da União, que proibia os funcionários de receberem qualquer benefício de empresas privadas relacionadas à Copa do Mundo, como convites, ingressos, transporte e hospedagens.

A instrução havia sido publicada com intuito de reforçar regras já existentes no regime jurídico dos servidores, informou a CGU.

A Telefônica colaborou com as investigações enviando uma lista para a CGU com os nomes de cada agente federal que recebeu ingressos para assistir às partidas de futebol de graça. A Controladoria também localizou fotos dos servidores em suas redes sociais que servirão de prova para apuração do procedimento administrativo.

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