César Mata Pires Filho, da OAS, se entrega à PF

César Mata Pires Filho, da OAS, se entrega à PF

Empreiteiro chegou neste domingo de viagem aos EUA; ele teve a prisão decretada pela juíza federal Gabriela Hardt na Operação Sem Fundos, fase 56 da Lava Jato, por suspeita de distribuir propinas para ex-dirigentes da Petrobras e do Fundo Petros no âmbito das obras da Torre Pituba, sede da estatal petrolífera em Salvador que teve superfaturamento estimado em RS1 bi

Paulo Roberto Netto

26 Novembro 2018 | 01h14

Sede da Polícia Federal em Curitiba, berço da Lava Jato. Foto: JF Diorio/Estadão

Atualizada em 27/11, às 10h58

O empreiteiro César Mata Pires Filho, alvo da 56ª fase da Operação Lava Jato, se entregou à Polícia Federal na noite deste domingo, 25. O empresário teve a prisão temporária decretada na última sexta-feira pela juíza federal Gabriela Hardt, mas estava em viagem nos Estados Unidos durante a operação. Ele se apresentou à sede da corporação em Curitiba conforme compromisso assumido pela sua defesa.

A OAS informou nesta terça-feira, 27, que Cesar Mata Pires Filho não tem ações do grupo e deixou de ser executivo da organização em 2015.

César Mata Pires Filho é acusado de participar do esquema de pagamento de propina a ex-dirigentes da Petrobrás e do Fundo Petros no âmbito da construção da Torre Pituba, sede da estatal em Salvador, quando era vice-presidente da OAS. Parte das vantagens indevidas também teriam sido destinadas ao Diretório Nacional do PT, segundo o Ministério Público Federal.

A procuradoria afirma que as empreiteiras OAS e Odebrecht distribuíram propinas de R$ 68 milhões durante a construção da sede. Inicialmente orçado em R$ 320 milhões, o empreendimento custou mais de R$ 1,32 bilhão.

A 56ª fase da Lava Jato, “Sem Fundos”, contou com 68 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de prisão temporária, divididos nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, do Rio de Janeiro e da Bahia, contra crimes de corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta de fundo de pensão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Além de César Mata Pires Filho, a Polícia Federal também mirou o ex-presidente do Fundo Petros, Wagner Pinheiro, Marice Correa, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, e o marqueteiro ligado ao PT Valdemir Garreta.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ALOÍSIO LACERDA MEDEIROS

O advogado Aloísio Lacerda Medeiros, defensor do empresário César Mata Pires Filho, confirmou que seu cliente se apresentou à Polícia Federal na noite deste domingo. “Conforme compromisso assumido com o Juízo, César Mata Pires Filho se apresentou à Polícia Federal na noite deste domingo.”

Aloísio Lacerda Medeiros destacou que o empresário irá prestar todos os esclarecimentos à Polícia Federal e à Justiça.