Cerveró diz que ex-diretor indicou comissão de licitação de Abreu e Lima

À Justiça, na semana passada, ex-diretor da Petrobrás afirma que Paulo Roberto Costa foi responsável por contratação da refinaria em Pernambuco

Redação

08 de setembro de 2014 | 12h32

Andreza Matais, Lígia Formenti e Fausto Macedo

O ex-diretor da área internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, afirmou que a condução do processo da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, era de responsabilidade do ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato. Em depoimento prestado para a Justiça Federal do Paraná, na semana passada, Cerveró contou que Paulo Roberto Costa indicou membros da comissão da licitação da refinaria. O depoimento foi gravado em vídeo.

A Abreu e Lima é uma das obras suspeitas de integrarem um esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Lava Jato.

Investigações da Polícia Federal indicam que Costa ajudou empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef a fechar contratos com a Petrobrás – entre elas, a refinaria. A estimativa é de que, somente nesta obra, tenham sido desviados da R$ 400 milhões. Parte desse valor teria sido enviado para contas na Suíça.

Cerveró depôs na semana passada como testemunha arrolada pelo doleiro Alberto Youssef, também alvo da Lava Jato.

Em depoimentos prestados no âmbito de acordo de delação premiada, o ex-diretor Paulo Roberto Costa admitiu a existência de uma espécie de “consórcio”de propinas. Para garantir a realização de contratos com a Petrobrás, empresas repassavam comissões que, numa terceira etapa, eram distribuídas para políticos e partidos.
Alista de beneficiados, conforme o portão estadão.com.br antecipou, teria mais de 30 parlamentares. Entre eles, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

No depoimento, arrolado como testemunha do doleiro Alberto Youssef, Cerveró, que foi diretor da Petrobrás entre 2003 e 2008, contou que integrantes da comissão de licitação são indicados pelo representante da área envolvida. No caso da Abreu e Lima, Paulo Roberto Costa.

Questionado na audiência na Justiça Federal se o doleiro frequentava a Petrobrás, Cerveró disse que “não conhece Youssef”.

Indagado se teve conhecimento do superfaturamento das obras da Abreu e Lima, ele esquivou-se. “Eu já estava fora da diretoria, a Abreu e lima ainda não tinha tido início.”

ACOMPANHE O VÍDEO DO DEPOIMENTO QUE NESTOR CERVERÓ PRESTOU À JUSTIÇA FEDERAL NO PARANÁ

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