Cerveró diz à Justiça que Fernando Baiano era lobista na Petrobrás

Cerveró diz à Justiça que Fernando Baiano era lobista na Petrobrás

Ex-diretor de Internacional, que comandava área controlada pelo PMDB na estatal, diz que operador de propina tinha mesma função de um dos delatores da Lava Jato, o executivo Julio Camargo

Redação

07 de maio de 2015 | 03h00

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro. Foto: André Dusek/Estadão

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro. Foto: André Dusek/Estadão

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró afirmou que o operador de propinas do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, era lobista que atuava na área de sondas. Seu papel seria o mesmo de um dos delatores da Operação Lava Jato Julio Gerin Camargo – lobista das gigantes japonesas Mitsui e Samsung que fez acordo com a força tarefa do Ministério Público Federal e revelou propinas de US$ 30 milhões para Cerveró e Baiano.

“Ele (Fernando Baiano) era essa figura que é chamada de lobista”, respondeu Cerveró, ao ser perguntado pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato.

ASSISTA AO DEPOIMENTO DE CERVERÓ NA ÍNTEGRA

O ex-diretor, preso desde janeiro pela Lava Jato, disse que foi ele que aproximou Julio Camargo, representante das empresas japonesas, e a Petrobrás na contratação de duas sondas de perfuração de petróleo em mar profundo, que teria envolvido acerto de US$ 30 milhões em propinas.
Sérgio Moro quis saber se Fernando Baiano e Julio Camargo tinham prestado serviço técnico nessas duas contratações feitas pela Petrobrás, via Diretoria de Internacional. “Não, só de intermediação”, explicou Cerveró.

O ex-diretor de Internacional e Fernando Baiano estão presos preventivamente em Curitiba, base das investigações da Lava Jato. O depoimento de Cerveró foi prestado terça-feira, 5, na Justiça Federal em Curitiba, dentro do processo penal em que Cerveró é réu por lavagem de dinheiro na compra de um duplex em Ipanema, em 2009, avaliado em R$ 7,5 milhões. O imóvel foi registrado em nome de uma empresa offshore aberta no Uruguai. A Lava Jato sustenta que o verdadeiro dono é o ex-diretor de Internacional da Petrobrás.

Cerveró é réu ainda em outro processo, acusado de receber US$ 30 milhões em propinas do lobista do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano – preso também pela Lava Jato.

O valor foi pago por contratos de dois navios de perfuração em águas profundas para exploração de petróleo pela Petrobras, envolvendo contratos de US$ 1,2 bilhão, ao todo. Cerveró e Soares são réus nos dois processos.