Cerveró, delator, diz que pagou US$ 1,5 mi para Delcídio por Pasadena

Cerveró, delator, diz que pagou US$ 1,5 mi para Delcídio por Pasadena

Ex-diretor da Petrobrás afirmou à Procuradoria-Geral da República que acertou propina de US$ 2,5 milhões com petista em 2006 e que senador o cobrava pelo US$ 1 milhão que faltou

Fausto Macedo e Julia Affonso

18 de dezembro de 2015 | 05h00

Delcídio do Amaral. Foto: Alex Silva/Estadão

Delcídio do Amaral. Foto: Alex Silva/Estadão

O ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró afirmou em delação premiada à Procuradoria-Geral da República que o senador Delcídio Amaral (PT/MS), no final de 2005 e início de 2006, o ‘procurava insistentemente’ solicitando dinheiro para a campanha ao governo do Mato Grosso do Sul. Cerveró disse que, na ocasião, o petista soube da compra da Refinaria de Pasadena, nos EUA – negócio que provocou prejuízo de US$ 792 milhões à estatal petrolífera, segundo cálculos do Tribunal de Contas da União (TCU).

Ele afirmou que diante das cobranças constantes de Delcídio acertou uma propina de US$ 2,5 milhões para o ex-líder do Governo no Senado, comprometendo-se a repassar ‘parte de sua propina para o parlamentar’ Resolveu, então, destinar a Delcídio US$ 1,5 milhão ‘decorrentes do contrato de Pasadena’. Ficou devendo US$ 1 milhão.

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Cerveró declarou que cedeu à pressão do senador porque achava que sua permanência no comando da Internacional estava ‘ameaçada’. Ele contou aos procuradores que a propina total no negócio de Pasadena chegou a US$ 15 milhões.

O ex-diretor e Delcídio estão presos. Cerveró foi preso em janeiro, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro – o juiz federal Sérgio Moro o condenou a 17 anos de prisão em duas ações penais.

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Delcídio foi preso dia 25 de novembro, sob suspeita de tramar contra a Lava Jato. Com medo da delação de Cerveró, planejou até uma rota de fuga para o ex-diretor da Petrobrás. Cerveró fechou o acordo de delação premiada com a Procuradoria dia 18 de novembro.

O ex-diretor revelou passo a passo a trama de Pasadena. Segundo ele, a propina total chegou a US$ 15 milhões para ‘funcionários’ da estatal. “A Petrobrás comprou 50% da Refinaria de Pasadena e 50% da trader da Astra Oil em Pasadena; que a trader é a empresa que comercializa o petróleo e os produtos da refinaria; que os 50% da Refinaria de Pasadena foram comprados pela Petrobrás por US$ 190 milhões; que os 50% da trader foram comprados pela Petrobrás por US$ 170 milhões, que foram pagos em duas vezes nos prazos de doze meses e vinte e quatro meses depois da aquisição; que em relação a esses dois negócios foi acertado o pagamento de US$ 15 milhões de propina para funcionários da Petrobrás e da Astra Oil participantes da negociação.”

Cerveró afirma que o ex-gerente executivo da Diretoria Internacional Luís Carlos Moreira ‘intermediou o acerto para pagamento de propina para funcionários da Petrobrás’. Moreira, disse Cerveró, ‘atuava sob sua orientação’. O ex-diretor disse que ‘preferia não se envolver diretamente na negociação de propina e que, por isso, nesse caso, Luiz Carlos Moreira intermediou o acerto das vantagens indevidas, ao passo que em outras situações essa tarefa foi desempenhada por Fernando Antonio Falcão Soares, lobista conhecido como Fernando Baiano’.

Cerveró delatou. “Que receberam propina com base na aquisição de Pasadena os gerentes da Diretoria Internacional Luiz Carlos Moreira, Rafael Comino, Aurélio Telles, Agostilde Monaco, o contratado Cesar Tavares, além do diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e do declarante; que Fernando Antonio Falcão Soares atuou na operacionalização dos pagamentos de valores ilícitos e, por isso, recebeu uma ‘comissão’; que coube ao declarante o recebimento de US$ 2,5 milhões.”

Interrogado pela Polícia Federal depois que foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal, Delcídio Amaral negou que tenha recebido propinas no esquema de desmandos montado na Petrobrás enbtre 2004 e 2006. Nesta quinta-feira, 17, o Supremo rejeitou pedido de revogação de prisão do senador.

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