Cérebro 4.0

Cérebro 4.0

Ademar Batista Pereira*

13 de janeiro de 2020 | 13h00

Ademar Batista Pereira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Vivemos um momento único na história humana. Desde a revolução industrial, os humanos nunca mais foram os mesmos, pois até então todas as revoluções e construções humanas foram feitas pela força dos músculos, de humanos ou animais. Em pouco mais de 100 anos experimentamos a maior e mais rápida evolução humana e tecnológica, com impactos determinantes na qualidade de vida, na educação e no modo de vida humano.

Muito temos ouvido e discutido sobre o mundo 4.0, como: a indústria 4.0, o humano 4.0 e finalmente o cérebro 4.0, uma referência aos impactos que a tecnologia está fazendo em toda a vida humana. Alguns estudiosos dizem que a tecnologia fará para o cérebro humano o que as máquinas fizeram para os músculos. Eu apenas mudo o tempo do verbo, o que a tecnologia está fazendo para o cérebro humano. Mas o que é ou como é um cérebro 4.0 ? Muitos dirão que é um cérebro capaz de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ler, ouvir música, assistir um filme e estudar matemática. Eu acrescento: sabe de tudo um pouco, mas nada com profundidade. Como gerenciar essa geração 4.0, especificadamente com menos de 30 anos? O fato é que está chegando a hora deles tocarem o mundo.

As habilidades que todos buscamos nas pessoas, são: resiliência, capacidade de respeitar as pessoas, trabalhar em equipe, saber diferenciar o que serve do que não serve, capacidade de assumir um problema e resolver, respeito a horários e prazos, fazer o precisa ser feito, não apenas o que gosta; encontramos essas pessoas ?

O problema que essas habilidades não são naturais. Naturalmente não aprendemos esses valores, precisamos vivê-lo. Não podemos  ensinar, aprendemos convivendo uns com os outros, por toda a vida, seja na infância e/ou juventude, aprendemos convivendo com os adultos, familiares e sociedade. Cabe ressaltar que a sociedade para as crianças e jovens da modernidade é a escola.

A Escola é uma instituição social, construída para atender uma demanda social. Antes da revolução industrial, apenas filhos de Reis e da elite tinham acesso a professores e, portanto, ao ensino. Com a democratização das informações e a facilidade de acesso ao conhecimento, estamos questionando o papel e o modelo de escola. Temos muitos “especialistas” que defendem o uso intensivo de tecnologia desde a educação infantil, com críticas à escola, chegando a compará-las com “prisões”. Ora,  a escola é essencial para o ser humano – ou fortalecemos e respeitamos essa instituição humana, ou nos perderemos como sociedade.

O cérebro 4.0 está aí e terá que tocar o mundo. Já concluímos que precisamos formar pessoas com mais valores e isso não se constrói sozinho – a família, a escola e a sociedade precisam estar unidas. Pouco adianta falarmos muitos idiomas, sermos especialistas, se não valorizarmos o ser humano. Se o cérebro não for forjado para resistir à dureza da vida adulta, teremos pessoas sem resiliência, repletas de direitos e sem nenhum dever. Assim como os músculos, o cérebro aprende e pode ser desenvolvido. Basta estimulá-lo e assim teremos melhores perspectivas futuras.

*Ademar Batista Pereira é presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep)

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