Cenário de aquisições à frente

Cenário de aquisições à frente

Vincent Baron*

03 de novembro de 2020 | 12h00

Vincent Baron. FOTO: DIVULGAÇÃO

O cenário desafiador proporcionado pela crise sem precedentes que o mundo experimenta tem colocado diversas organizações em uma situação crítica. Muitas companhias sentiram forte impacto em seus negócios, levando-as a repensarem estratégias para captação de recursos que garantam sua operação. Neste momento, um grande potencial para aquisições e consolidações se desenha no mercado e enxergamos duas tendências claras atualmente: aquisições de empresas em crise e financiamento de empresas em crescimento.

Muitas empresas sentiram negativamente os impactos da crise, em função de meses de faturamento baixo, sem conseguir comprimir custos de operação na mesma proporção. Em dificuldades, algumas empresas podem demorar a se recuperar, enquanto outras correm grande risco de encerramento. Não dispondo da estrutura financeira adequada para atravessar o momento, podem tornar-se alvo de aquisições de grandes grupos do setor ou de fundos de investimento. Essas aquisições devem ser majoritárias ou de 100% do capital.

Este é o caso de setores como o de varejo, por exemplo. Se por um lado há um grande número de empresas fortemente impactadas pela crise, outras, bastante sólidas, têm recursos para adquirir empresas ou marcas.

É importante destacar que, em todos os setores, as dificuldades ocorrem em “efeito cascata”. Se o varejo deixa de operar, deixa também de comprar, gerando consequências negativas para toda a cadeira de fornecedores. Isso significa que os movimentos de aquisição vão ocorrer em toda a cadeia de valor dos setores mais impactados. Ou ainda é possível que essas empresas, que costumam ser menores, se juntem, gerando uma consolidação do setor.

A crise atual também gerou um forte aquecimento de alguns segmentos, gerando movimentos de aquisição. Empresas de tecnologia, que foram fortalecidas pela alta demanda por digitalização, tornaram-se especialmente atrativas para investimentos. E tendo em vista a crescente necessidade de serviços digitais, a aposta é que empresas deste setor continuem expandindo e que precisem de recursos para subsidiar suas operações.

Um bom exemplo de segmento de mercado fortalecido é o da telemedicina, que ganhou um grande impulso na quarentena e deve continuar evoluindo nos próximos anos, atraindo cada vez mais investidores.

Os dois cenários abrem espaço para a atuação de empresas mais capitalizadas e fundos de investimento. O primeiro grupo vê nas aquisições uma forma certa de se consolidar, reposicionar e ganhar market share, enquanto o segundo grupo tem novas oportunidade de investimento, com boas opções à mesa.

É certo que este cenário de aquisições, que pode ser esperado para os próximos 18 meses, irá alterar a dinâmica de mercado, modificando sua estrutura competitiva. Com um menor número de empresas, porém com organizações mais fortes, a tendência é de maior racionalização, estimulada pelo aumento da formalidade. A principal consequência para o consumidor pode ser um aumento de preços no médio prazo.

*Vincent Baron é Managing Director da Naxentia

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