Cenário da educação a partir de 2021

Cenário da educação a partir de 2021

Antônio Eugênio Cunha*

12 de novembro de 2020 | 07h01

Antônio Eugênio Cunha. Foto: Divulgação

O mundo mudou em função da pandemia decorrente da Covid-19 e, consequentemente, a escola também. As incertezas que se apresentaram em 2020 ainda não foram totalmente resolvidas ou respondidas; ou seja, corre-se o risco de repetir parcialmente no próximo ano ou ainda ganhar novos contornos.

O Brasil vive um cenário atípico e inesperado, temos uma crise política e institucional instalada, uma necessidade de reformas nas áreas trabalhista, tributária, previdenciária, da administração pública e uma mudança na sociedade devida aos novos comportamentos provocados pelo distanciamento social.

No caso da educação já está evidenciado que teremos novos projetos pedagógicos e de gestão administrativa/financeira decorrentes dos grandes impactos no sistema educacional, alterando as metodologias de ensino, aprendizagem e ainda interferindo nos custos das operações das empresas educacionais, independentemente das opções de ordem social e tributária. Agora, fala-se em aulas remotas, salas invertidas, ensino híbrido, metodologias ativas, aulas gravadas para revisão, atividades online, laboratórios virtuais, turmas divididas, novas tecnologias, materiais didáticos adaptados às novas tecnologias, professores em treinamento, plataformas digitais e tantas outras coisas para atender ao novo modo de viver e aprender.

Com tudo isso, veremos que as crianças sentirão falta das aulas tradicionais, das atividades esportivas, da cantina, do convívio social com os amigos, dos rituais da escola. Isso só é possível de acontecer dentro do espaço físico da escola.

As diretrizes anunciadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e pelos Conselhos Estaduais de Educação (CEE) foram aprovadas e a validade do ensino remoto foi até dezembro de 2021, além de outras mais. Portanto, valem para todas as redes do país, desde a educação básica até o ensino superior, não sendo obrigatória. Este é um passo importante na direção do ensino híbrido.

Esse cenário demonstra que faremos investimento em tecnologias e teremos necessidades de adaptação da escola, da família, dos alunos e dos professores. Mesmo as instituições de ensino que estavam mais preparadas para o ensino remoto, terão dificuldades em implementar os novos fluxos de ensino. Engajamento, planejamento, comunicação, tempo, organização e soluções tecnológicas são alguns dos desafios a serem superados nessa nova configuração de ensino.

Para desenvolver alternativas para o ensino em todos os níveis será necessário entender que, se trata de um processo que vai além do aprender. Para isso, teremos: a) tutoriais ensinando a mexer na plataforma; b) participação dos professores e demais integrantes da equipe pedagógica; c) diversão nas atividades remotas; d) estratégias de engajamento dos alunos.

A educação não será a mesma de antes da pandemia. Inovar e buscar novas ferramentas é a regra para esse novo mundo que se apresenta

A família vem reconhecendo o esforço da escola para manter o ritmo de aprendizagem e, mais do que nunca, tem demonstrado anseios para que a instituição resolva as dificuldades que se apresentaram em 2020 e que é importante para a formação de seus filhos, como:

1 – Trabalhar valores éticos e morais na formação do estudante;

2 – Desenvolver habilidades socioemocionais;

3 – Estruturar projeto pedagógico e metodologias de ensino para o uso das tecnologias;

4 – Atualizar o material didático e adequar às novas tecnologias a fim de torna-las de fácil utilização pelos alunos e pais no ambiente residencial;

5 – Qualificar e atualizar o Corpo docente com o uso das tecnologias;

6 – Personalizar o atendimento educacional em ambiente físico e também virtual;

7– Realizar o ensino da Língua Inglesa na escola e práticas esportivas em locais arejados;

8 – Estabelecer a estrutura física bem localizada e adaptada aos protocolos de segurança e de saúde;

9 – Propor mensalidades acessíveis aos orçamentos familiares e com políticas de descontos bem definidas e justa para todos;

10 – Incluir o atendimento presencial e virtual com a mesma eficiência.

Como elencado, são muitos os futuros possíveis e isso dependerá da nossa capacidade de refletir e de agir. Será necessário abrir os sistemas de ensino para novas ideias, para a diferença entre pessoas, além de estarmos preparados para mudanças de nova concepção da aprendizagem, abrindo horizontes para uma educação adaptada à realidade de cada região e de cada país.

* Antônio Eugênio Cunha é gestor educacional, ex-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), ex-presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (SINEPE-ES) e membro do Conselho de Representantes da FENEP.

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