CBG e CBN, os outros canabinóides

Gustavo de Lima Palhares*

27 de fevereiro de 2020 | 06h00

A regulamentação da fabricação e venda dos produtos à base de componentes da Cannabis proposta pela Anvisa, em dezembro do ano passado, tem pautado discussões sobre as propriedades terapêuticas dessas substâncias. O canabidiol (CBD) e o THC (tetrahidrocanabinol) são os mais conhecidos. Entretanto, a espécie contém mais de 400 componentes.

Com o aumento dos estudos sobre a planta, foi descoberto outros dois canabinóides com atuações medicinais, o Cannabigerol (CBG) e o Cannabinol (CBN).

O Cannabigerol é o canabinóide a partir do qual a planta sintetiza todos os outros. Apesar disso, ele não causa efeitos psicotrópicos, ou seja, seu uso não altera o comportamento e a consciência.

A atuação acontece através da conexão com receptores do sistema endocanabinóide, que é abundante na região ocular. O uso desse canabinóide reduz a pressão intraocular e vasculariza a área, o que a torna uma poderosa arma no tratamento do glaucoma. Outra utilidade do CBG, é a efetividade na diminuição de inflamações e a atuação no sistema nervoso, restaurando o equilíbrio homeostático. Em outras palavras, ele ajuda no controle da estabilidade corporal, necessária para que o organismo realize as funções corretamente.

Mas a principal animação com o cannabigerol é no combate ao câncer. O estudo da Francesca Borrelli: “A carcinogênese do cólon é inibida pelo cannabigerol, antagonista do TRPM8, um canabinóide não psicotrópico derivado da cannabis”, da Universidade de Nápoles Federico II, mostrou que a substância tem ação anticancerígena, capaz de reduzir o crescimento do tumor. A pesquisa conclui que o canabinóide é promissor, tanto na prevenção, quanto na medicina curativa.

Outro canabinóide com futuro próspero no tratamento de doenças é o Cannabinol. Encontrado em planta mais velhas, os estudos apontam que o CBN tem propriedade neuroprotetora, isto significa que ele é capaz de proteger os neurônios contra danos decorrentes de doenças que afetam o sistema nervoso, como é o caso do Alzheimer e do Parkinson.

O Departamento de Neurologia da Universidade de Washington conduziu uma investigação sobre a terapia com cannabinol em camundongos com esclerose lateral amiotrófica. Administrando CBN por doze semanas, conclui-se que o tratamento atrasa significativamente o início da doença e sem promover efeitos colaterais.

O cannabinol é considerado um poderoso agente antibacteriano. Testado em laboratório contra a Staphylococcus aureus, bactéria resistente aos antibióticos tradicionais, obteve êxito ao combatê-la.  O CBN atua também como anti-inflamatório, estimulador de apetite e no tratamento de glaucoma.

Por conseguir combater enfermidades que não existem tratamentos e amenizar os sintomas de doenças degenerativas, o CBG e o CBN têm mostrado indispensáveis na medicina. Entretanto, apesar das pesquisas e casos clínicos sobre os tratamentos com canabinóides mostrarem resultados favoráveis e já estarem disponíveis nos Estados Unidos, ainda temos um longo percurso para que isso aconteça no Brasil.

*Gustavo de Lima Palhares, CEO da Ease Labs

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