Causas e condições para uma empresa crescer com novos talentos

Causas e condições para uma empresa crescer com novos talentos

Luis Gonzales*

12 de dezembro de 2019 | 09h00

Luis Gonzales. FOTO: DIVULGAÇÃO

Comprometimento, competência e ética. Esses três atributos são os que toda e qualquer empresa busca na hora de contratar seus funcionários. Vamos agora inverter os papéis: se você estivesse procurando uma nova oportunidade e pudesse escolher uma empresa para trabalhar, quais critérios você utilizaria? Como fazer da sua empresa o objeto de desejo de tantos talentos que estão no mercado? Vou falar da minha experiência, que começou com a abertura da filial de uma multinacional, depois criei uma startup, e agora evoluímos para uma scale-up.

Talvez o primeiro passo para atrair talentos seja demonstrar que sua empresa e sua equipe têm credibilidade. E, para isso, é necessário ter uma estratégia de crescimento viável e responsável. Onde estou hoje e como criar metas desafiadoras, porém, atingíveis para alcançar nossos objetivos, garantindo a sustentabilidade do nosso negócio sem correr riscos excessivos.

No nosso caso, uma scale-up, esse ponto é muito importante. Fazendo uma comparação simples, passamos da infância para a adolescência. Precisamos ser mais responsáveis, temos um quadro maior de colaboradores, de clientes, temos uma casa para manter. Precisamos acalmar as inquietações e crescer com a estratégia correta para não colocar o negócio em risco e garantir a entrega do que prometemos para nossos usuários. A aventura inicial de abrir o negócio passou e agora estamos na fase de amadurecimento e inovação contínua. Temos pessoas pelas quais somos responsáveis.

Quando começamos, na fase inicial, você vende o futuro, a proposta e a promessa de onde a empresa sonha em chegar, o impacto que terá no mercado e o quanto espera crescer. Na fase de scale-up, a palavra é entrega. A equipe cobra um direcionamento claro que gere os resultados desejados. Isso vale para investidores e vale muito também para os colaboradores. É preciso ter agilidade, visão de mercado, saber a hora exata da tomada de decisão.

Se queremos uma equipe comprometida, precisamos entregar o resultado do nosso comprometimento.

Neste ponto, precisamos falar de transparência. As relações são mais diretas. O líder da empresa não pode se colocar numa posição inacessível. Não pode continuar a existir o “medo do chefe”. Existe a colaboração entre todos que estão juntos. Todos fazem parte do sucesso da empresa. Afinal, a liderança não vem do cargo, mas da inspiração que você é capaz de gerar. É preciso, então, tratar as pessoas como pares, não pela faixa salarial apenas. Entender e mostrar que, o que cada um faz, impacta o todo. Criar condições para que todos se sintam motivados e, assim, encarem com mais tranquilidade até mesmo os momentos de crise, que existem! Mesmo assim, não se surpreenda se sua equipe demora para abraçar a oportunidade de te tratar como um par porque a maioria das empresas não oferece essa liberdade. O importante é ser persistente e continuar a encorajar a comunicação transparente e colaborativa.  Ainda não conheci uma empresa 100% perfeita. Mas conheço líderes e colaboradores 100% comprometidos e engajados.

Aproveito o gancho para falar da resiliência. As dificuldades são oportunidades, não obstáculos. Uma empresa que consegue unir pessoas que compartilham dos mesmos valores, cria um grupo mais unido. E a força de um grupo é muito mais efetiva do que a de um indivíduo isolado. Construir equipes unidas e colaborativas que conseguem superar os obstáculos com mais tranquilidade, menos estresse e maior criatividade tem um valor inestimável. Aliás, tem um valor que se reflete em um melhor ambiente de trabalho. E quando se trabalha com vontade e comprometimento, ética e competência, o sucesso torna-se muito mais fácil de alcançar.

E aqui chego ao ponto do propósito de cada empresa, do propósito do seu negócio. Eu acordo motivado todos os dias porque nossa empresa melhora a vida das pessoas, traz e gera bem-estar. Nós, verdadeiramente, impactamos a vida de cada um.

Os millennials têm uma visão muito mais ampla do que as gerações mais velhas. E as empresas precisam entender essa nova “pegada”. Os jovens, cada vez mais, olham para o emprego não apenas como o provedor de dinheiro. Buscam propósito com os quais se identificam. Querem ter a possibilidade de crescer junto, de aprender, de ser útil não só para a empresa, mas para a sociedade.

Para reter os verdadeiros talentos, as pessoas comprometidas, é preciso agir de forma digna, tratar de forma justa, e oferecer oportunidades de aprendizado contínuo. Demonstrar firmeza, apoio e compaixão. Vale repetir: as pessoas ficam mais tempo e apresentam um maior rendimento quando se identificam e se sentem bem em um lugar.

Por outro lado, é justo que o empregador queira o mesmo. Os jovens precisam “vestir a camisa”, entender que a liberdade de ação se ganha com a credibilidade que, por sua vez, é construída mediante entregas de alta qualidade ao decorrer do tempo. Precisam compreender que a empresa que oferece autonomia total para quem ainda não se comprovou estaria sendo irresponsável com os usuários que dependem dos serviços, com os demais colaboradores que construíram a empresa e com os investidores que financiaram o sonho dos empreendedores.

E aí volto ao comprometimento, competência e ética. Porque, quando vamos contratar novos colaboradores, precisamos identificar candidatos que carregam esses valores em seu DNA. Fazer a diferença para uma empresa é ter vontade de aprender, ser “esponja”, absorver os conhecimentos, contribuir e ter também humildade, resiliência, postura e atitude corretas. Isso vale para as equipes de RH na hora da seleção e para todos nós. O modelo de negócio no mundo inteiro está mudando, o ambiente de trabalho idem, não só na decoração, mas em seu propósito verdadeiro. É uma transformação genuína em busca de qualidade de vida e bem-estar.

*Luis Gonzales é CEO da Vidalink

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: