Catta Preta renuncia à defesa de delator de Eduardo Cunha

Catta Preta renuncia à defesa de delator de Eduardo Cunha

Advogada de Julio Camargo - que denunciou propina de US$ 5 milhões ao presidente da Câmara -, também não vai mais defender Pedro Barusco e Augusto Mendonça, outros delatores da Lava Jato

Redação

22 de julho de 2015 | 16h20

A advogada Beatriz Catta Preta define a delação premiada como um meio de defesa

A advogada Beatriz Catta Preta

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Julia Affonso

A criminalista Beatriz Catta Preta renunciou à defesa do lobista Julio Camargo, delator do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ela também renunciou à defesa de outros dois delatores da Operação Lava Jato: Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, e o lobista Augusto Ribeiro de Mendonça. A renúncia foi comunicada pela advogada à Justiça Federal no Paraná por meio de petições protocoladas nos processos em que os três delatores são réus.

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Na semana passada, Julio Camargo, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, revelou ter sofrido pressão do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para pagar propina de US$ 5 milhões. O valor seria referente a dois contratos de R$ 4 bilhões da estatal para a contratação de navios-sonda.

‘Delator não é traidor’, defende advogada

“Beatriz Catta Preta e Luiz Henrique Vieira, advogados que esta subscrevem, constituídos nos autos do processo em epígrafe e demais procedimentos oriundos da denominada Operação Lava Jato, vem, com fundamento no artigo 5º, § 3º, da Lei nº 8.906/94, manifestar suas renúncias ao mandato que lhe fora outorgado por Pedro José Barusco Filho”, comunicou a advogada em uma das petições.

No último dia 20, segunda-feira, Beatriz Catta Preta enviou e-mail para os delatores, informando sobre sua decisão. “Prezado Sr. Pedro Jose Barusco Filho, Boa tarde. Vimos pela presente notificá-lo da renúncia a todos os poderes a nos outorgados por Vossa Senhoria. Comunicamos que Vossa Senhoria devera constituir novo procurador no prazo de 10 dias a contar desta data. No mais, até o termo final do prazo acima, seremos responsáveis por Vossa defesa em ações e procedimentos em andamento, exceto perante CPI, CADE, CGU, Receita Federal, dentre outros. Atenciosamente, Beatriz Catta Preta”, escreveu para o ex-gerente de Engenharia da Petrobrás.

Beatriz Catta Preta foi o artífice da fase mais explosiva da Lava Jato. Sob sua orientação, o primeiro delator, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, revelou o amplo esquema de corrupção que tomou conta de diretorias da estatal. Ele apontou ainda nomes de deputados, senadores e governadores que teriam recebido porcentual de propinas pagas por empreiteiras.

Depois da delação de Costa, a criminalista renunciou à causa, assumida pelo advogado João Mestieri. Na ocasião, Beatriz Catta Preta alegou que sua missão já havia sido cumprida e que ela não acompanharia as ações penais. Nos últimos anos, a advogada notabilizou-se na defesa de colaboradores da Justiça. Sua atuação provocou críticas de renomados criminalistas que se opõem à delação. No entanto, no decorrer da Lava Jato, alguns destes advogados recorreram à colaboração para livrar clientes da prisão.

No início de julho, Catta Preta foi convocada a depor na CPI da Petrobrás. Os parlamentares queriam indagar da advogada detalhes sobre a origem de seus honorários. O pedido de convocação da advogada foi feito pelo deputado Celso Pansera (PMDB-RJ).

 

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