Cassol ‘Maçaranduba’ ficou com R$ 2 mi por apoio à hidrelétrica, diz delator

Cassol ‘Maçaranduba’ ficou com R$ 2 mi por apoio à hidrelétrica, diz delator

Senador pelo PP de Roraima era 'um garoto propaganda' da Odebrecht, segundo Henrique Valadares, executivo ligado à empreiteira

Carolina Werneck, especial para o Estado, Brasília

16 de abril de 2017 | 18h54

Ivo Cassol. Foto: Beto Barata/Agência Senado

Ivo Cassol. Foto: Beto Barata/Agência Senado

Atualizada em 18 de abril, às 17h08

Sob o codinome ‘Maçaranduba’, o senador Ivo Cassol (PP-RO) recebeu R$ 2 milhões da Odebrecht pelo apoio ao projeto da hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho, de acordo com o delator Henrique Serrano do Prado Valadares. O delator afirmou em depoimento que autorizou o pagamento para Cassol porque, quando governador, ‘ele era um garoto propaganda da Odebrecht, sem que a gente pedisse nada para ele’.

Valadares contou à Procuradoria que o ex-secretário de Planejamento de Rondônia, João Carlos Gonçalves Ribeiro, também pediu ‘uma ajuda de R$ 1 milhão’ da construtora. “Ele era um cara que entrava nos detalhes das coisas e ajudava a destravar e dar a agilidade que a gente precisava para cumprir os prazos. Dependia de muitas providências por parte do Estado, de licenças e permissões. O João Carlos ajudou muito nisso como secretário de planejamento do Ivo Cassol”, disse.

O departamento de propinas da Odebrecht registrou João Carlos sob o pseudônimo ‘Dallas’. Os pagamentos feitos para ambos foram solicitados a Eduardo Melo Pinto, presidente da Santo Antônio Energia S/A (Saesa), concessionária que administra a usina. O dinheiro era proveniente de caixa dois gerado ao longo da obra.

Em outra ocasião, a construtora pagou despesas de Cassol com advogados. A conta foi assumida pelo ex-diretor de contratos da Saesa, José Bonifácio Pinto Júnior. “Ele [Cassol] tem um monte de processos nas costas. Um deles, recentemente, causou o afastamento dele. Então pagamos também”, explicou Valadares, que afirmou não saber o valor do pagamento ou quem eram os advogados em questão.

De acordo com o delator, o ex-governador teve, ainda, uma viagem para Nova York bancada pelo caixa dois da hidrelétrica de Santo Antônio. Identificado na planilha do departamento de propinas como ‘New York’, o pagamento foi feito para “custear uma viagem do governador Ivo Cassol, provavelmente com a mulher”, relatou Valadares.

Outros políticos de Rondônia também foram citados na delação. Valdir Raupp, senador pelo PMDB, recebeu dinheiro em forma de contribuição para campanha eleitoral por ser um político importante no Estado. O relator não soube dizer qual o valor pago a ele.

Roberto Sobrinho (PT-RO), ex-prefeito de Porto Velho, era o ‘Ariquemes’ na lista de pagamentos ilícitos. Quem recebia o dinheiro destinado a ele era Odair Cordeiro, homem de confiança de Sobrinho, de acordo com Valadares.

Também está na lista o irmão do senador, Assis Raupp (PMDB-MT), ex-vereador de Porto Velho e ex-prefeito de Colniza, em Mato Grosso. Assis teve seu mandato de prefeito cassado em 2016. Para a Odebrecht, ele era o ‘São Francisco’ e recebeu propina por um depósito feito na conta de uma mulher, cujo nome Valadares diz desconhecer.

Valter Araújo, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, foi registrado como ‘Árabe’ na planilha.

O delator citou ainda um pagamento feito ao codinome ‘Anjo’, que explicou ser ‘alguém do entorno do Ivo Cassol, mas não conseguimos identificar’.

COM A PALAVRA, IVO CASSOL

Nota do Senador Ivo Cassol

Jornalismo investigativo SIM, difamação NÃO.

Sobre as falsas notícias disseminadas em alguns jornais eletrônicos e outros meios de comunicação, repudiamos a difamação e em respeito às pessoas de bem, esclarecemos os fatos:

1 – Sobre venda de gado – nenhum abate de gado ou venda de animais é realizado pelo Grupo Cassol sem estar declarado nos órgãos de controle fiscal e de sanidade animal.

As fazendas do Grupo Cassol produzem boi de engorda através do método confinamento. Ressalto que o gado em confinamento tem dia certo para o abate em função de seu ciclo de engorda.

Ademais, os recursos do abate foram destinados para investimentos na construção da usina hidrelétrica do Grupo, a Unidade de Caximbo Alto em Alta Floresta.

Igualmente, há de esclarecer que a venda de gado foi feita para outro frigorífico e não para empresa Fertipar e Cairu, que nada tem a ver com o assunto e o tal frigorífico Fetipar nem existe em Rondônia.
2 – Sobre a viagem para os EUA em 2012 – NADA, absolutamente NADA da viagem da minha família aos EUA foi patrocinado por alguém a não ser por mim e pela minha família.

Passagens aéreas e estadias podem ser comprovadas através das faturas dos cartões de crédito, documentos estes que estão a disposição da justiça.

3 – Reafirmo que as acusações são levianas e descabidas, desconheço qualquer pagamento a meus advogados por terceiros. Os advogados possuem procuração somente para me defender e atuar nos processos do início ao fim, jamais autorizei qualquer pessoa a pagar qualquer conta que seja, muito menos usar meu nome para negociações com qualquer empresa ou grupo econômico.

4 – Reafirmo, ainda, que vejo essa denúncia como uma retaliação por ter sido contra a isenção de UM BILHÃO de impostos dado em 2.011 aos consórcios que construíram as usinas Jirau e Santo Antônio.
Com fé em Deus, com o apoio de minha família e as pessoas de bem tenho certeza que estarei presente para vencer mais essa incrédula batalha, de ter que provar a verdade, como tantas outras batalhas que já provei e venci nos tribunais, mesmo tendo sido condenado por antecipação por alguns setores da mídia e os adversários políticos.

Brasília/DF, 18 de abril de 2.017.

Senador Ivo Cassol

COM A PALAVRA, VALDIR RAUPP

A defesa do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), representada pelo criminalista Daniel Gerber, informou que ele contesta mais uma vez ‘a falsidade das alegações que fazem contra si, se colocando à disposição do Poder Judiciário para os esclarecimentos cabíveis’.

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