Caso Ricardo Nunes: o holofote na necessidade de governança e de transparência nas empresas

Caso Ricardo Nunes: o holofote na necessidade de governança e de transparência nas empresas

Bruno Giometti*

04 de agosto de 2020 | 11h00

Bruno Giometti. FOTO: DIVULGAÇÃO

Recentemente, fomos surpreendidos pela notícia da prisão do Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, numa operação contra sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, que investiga os empresários do ramo de eletrodomésticos e eletrônicos, movida pela Receita Federal e pelo Ministério Público de Minas Gerais.

De acordo com os órgãos, a rede de varejo incluía o preço do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) nos valores dos produtos, mas não repassava ao Governo. Estima-se que, no total, cerca de R$ 400 milhões de reais tenham sido sonegados ao longo de cinco anos.

Depois que essas informações vieram à público, houve um pronunciamento da rede de varejo Ricardo Eletro informando que Ricardo Nunes não está mais envolvido nos processos do dia a dia, assim como quaisquer irregularidades. Mas, apesar do pronunciamento, a companhia se vê exposta em um momento de crise no mercado.

Acontecimentos como esse só reforçam a necessidade de analisar as companhias sob algumas óticas. Primeiramente, no prisma da governança das empresas, afinal, as atitudes dos gestores no exercício do seu papel nas organizações são tanto de responsabilidade deles, quanto das companhias.

Outro prisma se trata do contexto das companhias, que atualmente são altamente digitalizadas. Isso porque, vivemos num mundo digital, onde todos os movimentos acabam gerando um dado, ou seja, há uma somatória de informações de alto valor agregado.

Um exemplo são os controles de vendas que, na maioria das empresas, ocorrem através de sistemas de gestão, que automatizam os processos de cálculo de impostos que devem (ou deveriam) ser repassados ao Governo.

Neste contexto, é difícil uma situação em que os órgãos de fiscalização não conheçam a inadimplência tributária das empresas. Talvez eles não estejam com ela no foco, mas, sem dúvidas, eles possuem as informações, bem como os mecanismos para identificação dos problemas. Ou seja, basta acessar seus registros que os danos financeiro e de imagem se instauram.

Somado a isso, temos a sociedade, que também cobra pela ética, transparência e responsabilidade das empresas. Este caso não é o primeiro e não será o último em que há uma situação de potencial sonegação de impostos, no qual as organizações acabam pagando um preço alto com os danos à sua marca por decisões de seus gestores.

É necessário o entendimento de que gestão e governança andam juntas e devem ser fundamentadas em ética e transparência, começando pelos executivos até seus colaboradores, independente da área de atuação na empresa.

No Brasil da atualidade, caminhamos para que as organizações com estruturas de governança, fundamentadas na ética e na transparência, se tornem as referências do mercado. A onda de ESG (do inglês, Environmental, social and corporate governance) está se aproximando com força e provando essa máxima.

*Bruno Giometti é diretor de Auditoria Interna e Assessoria Financeira na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados

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