Cartórios superam bancos e lideram comunicações de operações suspeitas ao Coaf

Cartórios superam bancos e lideram comunicações de operações suspeitas ao Coaf

Em três meses, setor atingiu a marca de 132 mil comunicações reportadas, 14 mil a mais do que os bancos em todo o ano de 2019

Rayssa Motta

15 de maio de 2020 | 06h22

Cartório em Brasília Foto: André Dusek/Estadão

Desde fevereiro, mês em que entrou em vigência a norma que incluiu os cartórios no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no Brasil, foram reportadas, 132 mil comunicações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O número é maior do que qualquer outro segmento do sistema de combate a crimes financeiros no País, incluindo bancos, cooperativas de crédito e joalherias, segundo a Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo (Anoreg/SP).

Há três meses, transações de compra e venda de imóveis, procurações, dívidas e registro de empresas que envolvam suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo passaram a ser analisadas pelos cartórios do País seguindo determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A iniciativa busca combater fraudes nas transmissões imobiliárias e a utilização das chamadas empresas de fachada.

De fevereiro a abril de 2020, foram 132.855 operações contra 118.532 das instituições bancárias ao longo de todo ano de 2019.

No mês de março, 54.308 ações suspeitas foram comunicadas pelos cartórios do País ao Coaf, 44% a mais que o mês de fevereiro. Já em abril, mês em que a pandemia de coronavírus se disseminou no Brasil, foram 41.056 atos comunicados, uma queda de 24% na comparação com o mês anterior.

Os bancos, as seguradoras e as cooperativas de crédito são os segmentos que aparecem em seguida no número de operações reportadas nos meses de fevereiro e março. No primeiro mês comparativo, foram 14.011, 6.426 e 3.383, respectivamente. Em março, as comunicações somaram 15.485, 5.902 e 4.271. No mês de abril, o mercado de valores mobiliários ultrapassou as cooperativas, chegando a 3.200 reportes, antecedido pelas instituições financeiras e as seguradoras, com 15.539 e 5.863 cada. Na soma do trimestre, os quatro setores comunicaram, juntos, 40% a menos do que os cartórios.

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