Carta aberta ao presidente arrependido

Carta aberta ao presidente arrependido

Junior Bozzella*

12 de julho de 2020 | 13h33

A trajetória política, e a vida, são feitas de escolhas. Há quase um ano o PSL foi colocado contra a parede, tentaram dizimar o partido para reconstruí-lo com o propósito de servir aos interesses de um grupo e não mais do povo brasileiro, mas resistimos bravamente!

Eles não contavam que encontrariam pela frente um Luciano Bivar, homem que acreditava no Brasil, na missão de combater a corrupção e salvar a economia mais do que qualquer coisa. Aqueles que tinham os mesmos valores se uniram e mostraram que não estavam à venda, que não sujariam as suas biografias em troca de cargos ou favores e, que acima de tudo, não trairiam o povo brasileiro.

O PSL escolheu defender o Brasil e não garantir a si mesmo. Trocou a condição confortável de ser aliado do poder para continuar brigando pelo combate à corrupção e lutando pelos interesses do povo. Como consequência pagamos um preço alto por isso. Fomos injustamente acusados, caluniados, agredidos, tentaram de todas as formas possíveis destruir o partido, mas a Justiça dos homens prevaleceu, e diante da transparência e lisura que sempre tivemos em tudo que se refere ao PSL, seguimos firmes e fortes na nossa caminhada.

Os fatos que ocorreram depois disso nos deu a certeza de termos feito a escolha certa. O Governo se vendeu. Trocou tudo aquilo que sempre disse defender e acreditar para garantir a sua sobrevivência. Bolsonaro demitiu todos aqueles que insistiram em defender as bandeiras pelas quais foi eleito, foram todos caindo um a um para dar espaço aos frutos das negociatas com o Centrão. O tão sonhado ministério técnico se transformou em mais uma utopia. Orçamentos bilionários da república sendo loteados àqueles que tinham mais apoio a oferecer ao governo para barrar investigações contra amigos e familiares.

Junior Bozella. Foto: Acervo pessoal

Agora, depois de todos os ataques que sofremos, depois de todas as tentativas de acabar com o partido e com aqueles que faziam parte dele, surge um Jair Bolsonaro arrependido, querendo “desatar os nós com o PSL”, “se aproximar” com o objetivo de ampliar a sua base e conter qualquer possibilidade de manifestação no Congresso contrária aos seus atos pouco republicanos. Você está arrependido, Jair Bolsonaro? Mas nós não! O nosso compromisso nunca foi com um homem, mas sim com os cerca de 209 milhões de brasileiros.

Nós temos dignidade e enquanto presidente estadual do partido, asseguro que nós, do PSL São Paulo, somos absolutamente contrários a qualquer negociação que envolva toma lá, da cá. Lutamos contra isso, fomos acusados de traidores porque não compactuávamos com isso, e agora nossa postura não será diferente. Muito obrigado, presidente, mas nós não estamos a venda, por gentileza, guarde os seus cargos para o centrão e os seus amigos de estimação.

Seguiremos apoiando as pautas em defesa do Brasil, mas não aceitaremos jamais qualquer negociação envolvendo cargos, simplesmente porque isso vai contra os valores do PSL e o nosso compromisso de fazer política de forma diferente do que sempre foi feito.

O PSL não perdeu o seu valor, sua moral e nem a independência, continuamos sempre votando a favor do Brasil sem precisar de toma lá, da cá. Bolsonaro um determinado dia disse: “Esquece o PSL, tá ok?”. Hoje ele volta implorando perdão a esse mesmo PSL. Perceberam quem é o traidor “arrependido”?

*Junior Bozzella é deputado federal e presidente do diretório estadual  do PSL-SP

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