Cármen Lúcia retoma cronograma das delações da Odebrecht

Cármen Lúcia retoma cronograma das delações da Odebrecht

Por ordem da ministra que preside Suprema Corte, juízes auxiliares vão promover audiências com 77 executivos e funcionários da empreiteira para indagar se foram espontâneos relatos gravados em vídeo pela força-tarefa da Lava Jato

Mateus Coutinho

24 de janeiro de 2017 | 11h15

Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Nelson Jr/STF

Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Nelson Jr/STF

Três dias após a morte do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, determinou nesta segunda-feira, 23, a retomada das audiências para homologação dos acordos de delação premiada de 77 executivos, funcionários e ex-funcionários da Odebrecht, a maior colaboração desde o começo da Lava Jato e que deve abalar o mundo político. A informação foi divulgada nesta manhã pela Coluna da Sonia Racy, do Estadão.

Com isso, os depoimentos perante os juízes auxiliares que estavam previstos para a semana passada foram retomados. Estas audiências buscam, nessa etapa, a confirmação dos relatos gravados em vídeo pelos procuradores da força-tarefa da maior operação já deflagrada contra a corrupção no País. Os juízes indagam dos colaboradores se falaram espontaneamente ou se, eventualmente, se sentiram pressionados para fechar o acordo.

Três juízes auxiliares que foram convocados para atuar no gabinete de Teori devem tomar depoimentos dos delatores e reiterar os termos dos acordos – multa a ser paga, benefícios e compromissos assumidos.
Os depoimentos das delações em si, que detalham esquemas de corrupção e implicam centenas de políticos dos principais partidos políticos, ficam para a próxima fase.

Mesmo com a morte do ministro, os magistrados auxiliares seguem no gabinete até que o sucessor de Teori assuma o gabinete e decida se vai manter a equipe. De acordo com o cronograma anterior que vinha sendo cumprido pelo gabinete, os juízes devem viajar para capitais onde irão ouvir os colaboradores.

Em dezembro, os procuradores da força-tarefa que viajaram para ouvir os mais de 900 depoimentos dos delatores ligados à empreiteira. A Procuradoria-Geral da República registrou todas as colaborações em vídeo.

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