Carla Zambelli depõe à PF na quarta, 13, sobre denúncias de Moro contra Bolsonaro

Carla Zambelli depõe à PF na quarta, 13, sobre denúncias de Moro contra Bolsonaro

Deputada foi comunicada nesta quinta por telefone com a data da oitiva, informou gabinete; ex-ministro revelou mensagens em que ela oferece influência por vaga no Supremo se ele aceitasse Ramagem na PF

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA e Paulo Roberto Netto/SÃO PAULO

07 de maio de 2020 | 22h24

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) irá depôr perante a Polícia Federal na próxima quarta, 13, no inquérito sobre as acusações do ex-ministro Sérgio Moro contra ‘interferências políticas’ do presidente Jair Bolsonaro na corporação. O gabinete da parlamentar informou que ela foi notificada da oitiva nesta tarde.

Zambelli propôs antecipar a data do depoimento, mas a data foi mantida. Em nota, a deputada afirmou que ‘prestará todas as informações necessárias’ e que ‘não tem nada a esconder’.

“Está claro para todos que minha intenção sempre foi buscar a pacificação de qualquer conflito e que, em momento algum, tentei oferecer um cargo ao ex-ministro, até porque não tenho qualquer prerrogativa para fazê-lo”, afirmou.

Carla Zambelli irá depôr acompanhada dos advogados Rodolfo Maderic e Huendel Rolim.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Foto: Dida Sampaio / Estadão

A deputada foi listada para depôr após Moro revelar mensagens trocadas com a parlamentar que indicariam a pressão de Bolsonaro para a substituição de Maurício Valeixo pelo diretor da Abin, Alexandre Ramagem, do comando da Polícia Federal.

Em uma das conversas entregues à PF, Zambelli pede que Moro aceite a mudança na direção-geral da PF solicitada por Bolsonaro e, em troca, ela se comprometeria ‘a ajudar’ o ex-ministro com uma vaga no Supremo Tribunal Federal. “Vá em setembro para o STF. Eu me comprometo a ajudar. A fazer o JB (Jair Bolsonaro) prometer”, escreveu a deputada.

Moro respondeu que não estava ‘à venda’.

Alexandre Ramagem foi o nome indicado por Bolsonaro para o comando da PF. A nomeação, contudo, foi suspensa por liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e anulada pelo Planalto. Em seu lugar, o governo escolheu Rolando Alexandre de Souza, braço direito de Ramagem na Abin.

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