Carioca Engenharia listou Cenpes e mais 3 obras com propinas

Carioca Engenharia listou Cenpes e mais 3 obras com propinas

'Em todas essas obras houve a cobrança de vantagens indevidas', relatou Ricardo Pernambuco, dirigente da empreiteira

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

04 de julho de 2016 | 11h07

 

Ala que dá acesso aos principais laboratórios que compõem a parte ampliada do Cenpes. Foto: Petrobrás

Ala que dá acesso aos principais laboratórios que compõem a parte ampliada do Cenpes. Foto: Petrobrás

O empresário Ricardo Pernambuco, um dos sócios da Carioca Engenharia, listou em sua delação premiada quatro obras da Petrobrás em que houve ‘cobrança de vantagens indevidas’. O executivo e seu filho, Ricardo Pernambuco Júnior, são delatores da Operação Lava Jato. Uma das obras é a do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio, alvo da Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, que também mirou no ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira.

Ricardo Pernambuco declarou que entre 2008 e 2012 a Carioca teve quatro obras na Petrobrás. Além do Cenpes, na qual a Carioca, com participação de 20%, estava consorciada com outras quatro empresas, a Construcap, Schahin, Construbase e a OAS, a empreiteira também teve obras no Gasoduto Coarimanaus, no Amazonas, em consórcio com a Andrade Gutierrez, no Píer de GNL, na Baía de Guanabara, e no Terminal Aquaviário de Barra do Riacho, no Espírito Santo.

“Em todas essas obras houve a cobrança de vantagens indevidas perante a Carioca”, relatou Ricardo Pernambuco.

[veja_tambem]

O dono da Carioca prestou depoimento em 1 de outubro de 2015. Suas declarações foram anexadas aos autos na sexta-feira, 1.

Segundo o executivo, a cobrança era feita pelo lobista Mário Góes, que se tornou um dos delatores da Lava Jato. O empreiteiro afirmou que Mário Góes dizia que estava agindo em nome do ex-gerente executivo da Petrobrás Pedro Barusco e citou o ex-diretor de Serviços da petrolífera Renato Duque.

“A atuação de Mario Góes como operador de Pedro Barusco era notória no meio empresarial; que o depoente não recebeu informação de seus funcionários de que Mario Góes estivesse agindo em nome de Renato Duque; que o montante das vantagens indevidas variava entre 0,5% e 1 % do valor das obras”, disse Pernambuco.

Pernambuco afirmou que os pagamentos foram feitos, em parte, no exterior. O executivo entregou à Procuradoria-Geral da República ‘tabelas e extratos bancários’ da conta Cliver, mantida por ele no Banco Delta, na Suíça, ‘nos quais se podem verificar pagamentos destinados à conta Mayana, mantida por Mário Góes no Banco Lombar-Odier também na Suíça.

“Esses pagamentos ocorreram em 22 de março de 2012, no valor de US$ 711 mil, e em 24 de março de 2012, no valor de US$ 851 mil; que o depoente irá verificar se foram feitos outros pagamentos a Mario Goes no exterior a partir de outras contas bancárias; que, além disso, houve pagamentos da Carioca a Mário Goes no Brasil, por meio de repasse de valores em espécie, provavelmente no montante de R$ 9 milhões; que o depoente estima que, no total, foi pago a Mário Goes algo em torno de R$ 12 milhões”, disse Pernambuco.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.