Cardozo aciona PF para investigar vazamento de informações sobre Lula

Cardozo aciona PF para investigar vazamento de informações sobre Lula

Ministro da Justiça quer apuração sobre violação do sigilo legal dos dados do ex-presidente; relatório do Coaf, publicado por Veja, aponta créditos de R$ 27 milhões em 4 anos para LILS, empresa que leva as iniciais de Luiz Inácio Lula da Silva

Redação

18 de agosto de 2015 | 12h55

Lula. Foto: AP

Lula. Foto: AP

Atualizada às 13h14

Por Andreza Matais e Fausto Macedo

O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vai pedir nesta terça-feira, 18, à Polícia Federal abertura de investigação do vazamento de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentação do caixa da empresa LILS, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda,  o Coaf produziu um relatório que foi divulgado na edição da revista Veja deste fim de semana. A investigação terá como foco a violação do sigilo legal dos dados do ex-presidente.

José Eduardo Cardozo. Foto: Dida Sampaio/Estadão

José Eduardo Cardozo. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A revista divulgou a lista de clientes do petista e indicou que o faturamento da sua empresa que leva a as iniciais de seu nome chegou a R$ 27 milhões em 4 anos. Segundo a reportagem, deste total, R$ 9,8 milhões teriam sido de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. A L.I.L.S. é a empresa que o ex-presidente usa para receber recursos de palestras, uma das atividades às quais se dedicou após deixar o Palácio do Planalto

Na ultima semana, Cardozo já tinha pedido à PF para investigar também um suposto ataque à sede do Instituto Lula.

O Estado revelou ontem que Coaf elaborou três relatórios que apontam movimentação atípica da empresa do ex-presidente Lula foram remetidos para Ministério Público no Distrito Federal, Rio de Janeiro e Paraná.

Em junho, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná, afirmou em despacho que o ex-presidente não estava sendo investigado, mas, conforme investigadores ouvidos pelo Estado, isso não significa que movimentações de sua empresa não tenham sido alvo de apurações.

Como mostrou o Estado na semana passada, a PF gravou conversa do executivo da Odebrecht Alexandrino de Salles Ramos Alencar com Lula, em 15 de junho, quatro dias antes de o empresário ser preso na Lava Jato. O alvo da interceptação era uma linha usada por Salles.

No diálogo, segundo relatório da PF, o ex-presidente se diz preocupado com “assuntos BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”. A instituição é alvo de uma CPI que visa investigar a política de financiamentos a grandes empresas nos governos petistas.

COM A PALAVRA, O INSTITUTO LULA:

“Todas as palestras e atividades do ex presidentes foram legais com os impostos devidamente recolhidos”

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