Capa da revista Exame questiona se governo Dilma chegou ao fim

Capa da revista Exame questiona se governo Dilma chegou ao fim

Publicação semanal traz reportagem sobre como os avanços das crises política e econômica estão dificultando a continuidade do PT no poder

Redação

10 de março de 2016 | 12h53

capaexamefim

A revista Exame desta semana traz em sua reportagem de capa um prognóstico de que está cada vez mais difícil para a presidente Dilma Rousseff concluir o mandato em 2018. Intitulada “Fim?” a reportagem cita como os avanços da operação Lava Jato, cada vez mais próxima do Palácio do Planalto e do ex-presidente Lula, e o fim do ciclo das commodities se tornaram uma combinação que dificulta cada vez mais a continuidade do PT à frente do governo federal depois de 13 anos seguidos.

Com base em depoimentos de especialistas e pesquisas de consultorias, a reportagem compara a situação de Dilma com a de Collor e aponta que a junção da grave crise política com a queda de 3,8% do PIB em 2015, indicando que o País pode passar pela pior recessão dos últimos anos, pode levar ao fim do ciclo do PT.

A matéria lembra ainda que com os avanços da Lava Jato, que levou à prisão do ex-marqueteiro do PT João Santana e levou o ex-presidente Lula, principal nome da legenda, à depor coercitivamente em uma investigação contra ele o capital político da presidente está cada vez mais fraco. “O PT se transformou na expressão política do Lula, que vê o Estado como protetor dos pobres”, diz o sociólogo e pesquisador da USP, Demétrio Magnoli.Para ele, o PT não vai deixar de existir, mas “terá de se refundar completamente”. “Não basta rever alianças com forças conservadoras, mas também os fundamentos do que é ser de esquerda”, segue o pesquisador.

A reportagem cita o processo de impeachment da presidente no Congresso e a ação que pede a cassação de seu mandato no TSE e afirma que eles devem chegar a um desfecho até o final deste ano.

Economia. O texto traz projeções de que o PIB per capta poderá cair até 10% em dois anos e indica ainda que um dos problemas principais que vem afetando não só a economia brasileira como a de vários países emergentes, é a queda do preço das commodities, matérias-primas exportadas sobretudo para a China e que estavam em alta na década de 2000.

“Com o término do ciclo das commodities, há também o fim de um ciclo político nos países emergentes”, afirma na reportagem o chefe de pesquisas da consultoria Eurásia Christopher Garman. Ele lembra que a taxa de reeleição dos governos nos países emergentes reduziu de 75% para 55% em 2014, coincidindo com a queda nos preços das matérias-primas tipicamente exportadas pelo Brasil, como o minério de ferro.

Na matéria, o economista e ex-ministro da Fazenda nas décadas de 60, 70 e 80, Antonio Delfim Netto ainda critica a política econômica do primeiro mandato de Dilma. “A partir de 2012 houve uma forte intervenção na economia, um excesso de voluntarismo por parte do governo. Tudo porque se buscava algo razoável: modicidade tarifária”, afirma.

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