Candidata não votada em eleição é empossada em Câmara em SC

Candidata não votada em eleição é empossada em Câmara em SC

A doceira Gilmara Elisa Ricardo foi candidata a vereadora nas eleições de 2012, mas preferiu votar no marido; ela vai cobrir licença na Câmara

Redação

24 de setembro de 2014 | 12h17

Por Julia Affonso

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A doceira Gilmara Ricardo em foto de arquivo. Foto: Reprodução/Facebook

Uma candidata à vereadora que não recebeu nenhum voto nas eleições de 2012 foi empossada no início do mês de setembro na Câmara Municipal de Rio dos Cedros, em Santa Catarina. A doceira Gilmara Elisa Ricardo (PPS), de 38 anos é a décima suplente da coligação de seu partido com o PMDB e está cobrindo uma licença de 30 dias da vereadora Anilda Moser (PMDB), a mais votada da cidade.

“Não votei em mim, porque já vi um prefeito perder por um voto. Como um voto faz diferença, resolvi votar no meu esposo”, explica Gilmara, a única a não receber votos em Rio dos Cedros. “Com o rodízio dos suplentes, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) me deu esse direito de assumir (o cargo). Não fiz nada de errado.”

Apesar do voto da mulher, o marido Laudenir Barbosa (PPS) também ficou como suplente. Nas duas últimas semanas, a agora vereadora tem conciliado a função na Câmara com o trabalho de doceira em uma faculdade da cidade. Toda segunda-feira, o Legislativo se reúne para sessões. Até agora, Gilmara participou de duas.

“Tem uma rua aqui na cidade que tem uma curva perigosa. Vivia caindo carro dentro do rio. O pessoal pedia que a Prefeitura fizesse um alargamento da rua. Fiz o pedido ontem. A oposição negou, mas nós somos maioria e o pedido passou”, explica Gilmara. Ela afirma ter recebido apoio dos alunos na faculdade onde trabalha, mas diz que alguns vereadores não gostaram de vê-la na Câmara.

Rio dos Cedros tem cerca de 10 mil habitantes e fica a cerca de 200 km de Florianópolis. Nas eleições de 2012, 42 pessoas se candidataram ao cargo de vereador, que recebe salário de R$ 2 mil. O último a entrar teve 241 votos e foi eleito por média.

“Disputei a eleição de 2012, mas só dei nome para preencher a cota de mulheres”, diz Gilmara.

A lei eleitoral obriga partidos e coligações a preencher no mínimo 30% das vagas indicadas para as eleições proporcionais com candidatas em atendimento para dar maior espaço às mulheres na política.

“Tenho um projeto. Na próxima eleição, vou pedir voto para mim”, afirma. “Acho que essa experiência vai me ajudar bastante.”