Candidata disse que ex-assessor de ministro a ameaçou com arma para devolver verba

Candidata disse que ex-assessor de ministro a ameaçou com arma para devolver verba

Mulher é testemunha da Operação Sufrágio Ostentação, que mira candidaturas laranja do PSL

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

01 de julho de 2019 | 05h05

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, chegou de cadeira de rodas tomou posse como deputado federal no plenário da Câmara Foto: Dida Sampaio/Estadão

Uma das candidatas que prestaram depoimentos à Justiça Eleitoral afirmou ter sido ameaçada com o uso de uma arma de fogo por um homem de confiança do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, para devolver o dinheiro de seu financiamento de campanha. Ela é uma das testemunhas da Operação Sufrágio Ostentação, que mira as candidaturas laranja do PSL.

A ação da Polícia Federal levou para a prisão temporária Mateus Von Rondon, assessor especial do ministro, apontado como o elo do PSL com as empresas.

Em Minas, a Polícia Federal também prendeu Roberto Silva Soares. Robertinho, como é conhecido, foi preso em Ipatinga, Região Leste de Minas Gerais.

De acordo com as investigações, ele atuava como coordenador da campanha de Marcelo Álvaro a deputado federal.

Outro investigado preso é Haissander Souza de Paula, ex-assessor do ministro na Câmara Federal. Segundo a decisão do juiz da 26ª Vara Eleitoral, Renan Chaves Carreira Machado, ele foi citado em depoimento por Clauzenir Barbosa Pereira, que concorreu pelo PSL a deputada estadual em Minas Gerais, recebeu 2 mil votos, e não foi eleita.

De acordo com seu depoimento, De Paula era o idealizador de sua campanha e ‘inclusive colocou uma arma de fogo sobre a mesa durante uma reunião para intimidá-la’ ao ‘insistir na devolução de verbas’.

Em decisão, o magistrado anotou que as gráficas investigadas ‘pouco ou nada’ produziram para as campanhas de candidatas do PSL que as contrataram.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DO TURISMO

“O Ministério do Turismo aguarda o andamento do processo judicial para não submeter qualquer servidor a uma condenação sumária sem garantir o direito de defesa. Importante ressaltar que o servidor responde a suspeitas de eventuais irregularidades eleitorais no ano passado, sem qualquer vínculo com a atividade que desempenha no Ministério do Turismo”.

COM A PALAVRA, PSL

Na quinta, 27, quando a PF prendeu investigados na Operação Sufrágio Ostentação, o partido se manifestou.

O PSL vê a investigação como “seletiva” para atingir Bolsonaro. “Todos os partidos políticos do Brasil tiveram candidatas cujo resultado nas urnas foi aquém da expectativa”, diz o partido em nota. “Só podemos classificar essa como uma investigação seletiva, com o objetivo de atingir o partido ao qual o Presidente da República é filiado, embora ele não tenha nada a ver com isso. Todas as contas de campanha do PSL foram aprovadas pelo TSE e tudo foi feito dentro da legalidade.”

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