Canalhas, mil vezes canalhas: assumam!

Canalhas, mil vezes canalhas: assumam!

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay*

05 de novembro de 2021 | 06h00

Antônio Carlos de Almeida Castro. FOTO: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

“A liberdade é a possibilidade do isolamento.
Se te é impossível viver só, nasceste escravo.”
Fernando Pessoa

Eu sempre falo para os estudantes que nós nunca devemos começar uma discussão de maneira autoritária, prepotente. Jamais deveremos dizer: “eu não falei?”, “viu como eu estava certo?”, “veja o que se confirmou!”. Nem com canalhas e calhordas devemos perder o senso da importância do debate e do contraditório.

Durante muitos anos corri o Brasil apontando a farsa representada por este grupo hipócrita, que instrumentalizou o Ministério Público e a Justiça Federal, representado pelo político e ex-juiz Sérgio Moro e seus asseclas da força-tarefa de Curitiba. Sempre, desde o primeiro momento, quando eles eram semideuses e com o apoio da grande mídia, eu já os desmascarava. E qual era o pano de fundo? Eles eram um partido político, com objetivos político-partidários e visavam ao poder. Simples assim.

Como eram indigentes intelectuais, não se preocupavam com o conteúdo. Era o poder pelo poder. Praticaram todos os abusos. Inclusive, criaram um fundo bilionário que os transformariam na maior força política nacional. Felizmente, o Ministro Alexandre de Moraes abortou a tempo. Interessante que eu, talvez o maior e primeiro crítico desse bando, nunca tive interesse pessoal nem profissional específico. Explico: nunca tive clientes investigados por essa gangue. Embora tenha tido mais de 40 clientes na Operação Lava Jato, nunca fiz uma única audiência com esse grupo. Nunca me deparei
com esse fantasma do Moro e nem com seus comparsas do Ministério Público. Minha preocupação era – e ainda é – institucional e na defesa incansável da Constituição.

Mas sempre apontei um fato agora mais que comprovado: eles buscavam o poder. Despudoradamente. Criminosamente, pois instrumentalizavam o Poder Judiciário e o Ministério Público. Nada pode haver de mais grave. Covardes. Mil vezes covardes. Denunciaram, prenderam, sempre em nome de um projeto de poder. Não há nada mais grave! Destruíram famílias e reputações na obsessiva luta pelo poder. Destruíram empresas e empregos para atenderem aos interesses internacionais que eles representam. Destruíram o instituto da delação premiada para subjugar o cidadão, buscando a prisão como forma de humilhar e deturpar a realidade. Canalhas. Mil vezes
canalhas. Destruíram a confiança que o cidadão tem que ter no Poder Judiciário.

Nunca criticaria o direito legítimo, de quem quer que seja, de se submeter ao sagrado escrutínio do voto popular. Mas não sejamos tratados como idiotas funcionais. Esse juiz nunca foi juiz. Foi o principal eleitor do fascista que hoje preside e destrói o país. E aceitou ser ministro da justiça ainda com a toga nos ombros; a toga que usou para prender o principal opositor do atual Presidente.  Mercadejou com a toga. Traiu o Judiciário. Corrompeu-se. Hoje não sou eu quem digo; é o Supremo Tribunal Federal. Um juiz que corrompeu o sistema de justiça. Corrupto. Mil vezes corrupto.

Hoje o menino de ouro da força-tarefa, segundo a imprensa, vai sair do Ministério Público. Talvez, num átimo de honestidade, vai assumir o que sempre fez: política. Nunca honrou o grandioso  Ministério Público Federal. Usou o Ministério. Até penso que, ao contrário do que diz a mídia, não busca o foro privilegiado e sim, o poder. Ele sabe que é desprezado pelos Tribunais Superiores. Todos, ou quase todos os ministros, sabem que ele é picareta e lobista. Vai continuar a fazer o que sempre fez: política.

Como foi um dos mentores do neofascista que governa o país – só saíram do governo, na saída do ex-Ministro Moro, numa briga de quadrilha – ele terá o apoio desse grupo que destruiu o Brasil. Outros do grupo virão. Que tenham a dignidade de não continuar usando o Judiciário e a força do Ministério Público. Sei que pedir dignidade é muito para esses usurpadores, mas que eles saibam que o país inteiro acompanha o pérfido jogo de poder que os sustenta. Vamos testá-los. Como ensina a mestre Clarice Lispector:

“Até cortar os próprios defeitos pode ser
perigoso.
Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta
nosso edifício inteiro.”

*Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, advogado

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