Campanha de Bolsonaro sobre fim do isolamento é ‘grave ameaça à saúde’ dos brasileiros, dizem entidades

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Campanha de Bolsonaro sobre fim do isolamento é ‘grave ameaça à saúde’ dos brasileiros, dizem entidades

Organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil afirmam que discurso por 'isolamento vertical' se trata de 'campanha de desinformação'

Paulo Roberto Netto

27 de março de 2020 | 19h42

Seis entidades brasileiras, incluindo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiram nota nesta sexta-feira, 27, classificando como ‘grave ameaça à saúde’ dos brasileiros a campanha do presidente Jair Bolsonaro pelo ‘isolamento vertical’, na qual ficariam em casa somente idosos e grupos de risco do novo coronavírus.

As organizações afirmam que a defesa do modelo por parte do presidente se trata de uma ‘campanha de desinformação’. “A hora é de enfrentamento desta pandemia com lucidez, responsabilidade e solidariedade”, afirmam.

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A nota é assinada pela OAB, CNBB, Comissão Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns, Academia Brasileira de Ciências, Associação Brasileira de Imprensa e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

A manifestação foi elaborada após reunião virtual entre representantes das entidades.

O presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Nessa quinta-feira, 26, o governo federal lançou a campanha publicitária ‘O Brasil Não Pode Parar’, que defende a flexibilização do isolamento social. A iniciativa é parte de estratégia de comunicação do Planalto para reforçar a ideia de que somente idosos e pessoas com doenças crônicas devem ficar em casa durante a pandemia – e o restante da população poderá transitar livremente, reabrindo o comércio.

No Instagram, uma publicação feita no perfil do governo federal diz que “no mundo todo, são raros os casos de vítimas fatais do coronavírus entre jovens e adultos”.

A proposta vai na contra-mão de recomendação de órgãos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde, que recomenda a quarentena e o isolamento social como medidas de prevenção ao novo coronavírus.

No início da noite, o Planalto informou que o conteúdo foi produzido em ‘caráter experimental’, não havia sido avaliado pelo governo e teve custo zero.

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