Caminhos para uma nova rota de crescimento e aquecimento da economia

Caminhos para uma nova rota de crescimento e aquecimento da economia

João Carlos Brega*

08 de agosto de 2019 | 05h00

João Carlos Brega. FOTO: SERGIO CASTRO/ESTADÃO,

Terminado o primeiro semestre do ano, espécie de cartão de visitas de qualquer início de governo, temos pela frente a prova de fogo, ou seja, qual o tamanho das mudanças que queremos e que capital político e social precisaremos para atingir as expectativas. E elas são altas. A realidade da reforma da Previdência e a embrionária, porém importante, reforma tributária nos apontam os caminhos necessários para uma nova rota de crescimento e aquecimento da economia, e que vai impactar diretamente a indústria.

Com o jogo praticamente iniciado na questão previdenciária, salvo alguma tempestade política, as atenções agora tem um alvo definido: a reforma tributária que já nasce como mais uma principal mudança urgente e, tal qual a anterior, conta com a fiança dos líderes empresariais e agentes econômicos.

É preciso trazer de volta a estabilidade para o País e, com isso, atrair os investidores que clamam por um ambiente estável e com um robusto arcabouço jurídico para despejar o bilhões em investimentos.

Hoje a carga tributária no mercado brasileiro é altíssima, tanto na produção quanto na renda e no consumo. Isso é um dos principais pontos em que o Brasil difere de outros países mais desenvolvidos, e o que impede a entrada de investimentos no mercado nacional.

É necessário mostrar a quem investe que o Brasil ainda é o país do futuro e o lugar ideal para apostar. Contamos a reforma tributária para que isso aconteça, especialmente para contribuir com o crescimento econômico da sociedade brasileira, trazendo de volta confiança, investimentos, aumentando a exportação e também a importação.

E quem mais que o empresariado para torcer que isso aconteça? É preciso gerar empregos, é preciso estimular a produção no Brasil. É preciso trazer cada vez mais investimentos externos para o mercado nacional. A mudança precisa ser feita de dentro para fora, criando um ambiente de negócios favorável. Precisamos de reformas estruturais e contamos com a reforma tributária para colocar o Brasil de volta no mapa de grandes apostas, e com a expectativa de manter o mercado em constante ascensão. Esperamos que ela aconteça e traga um sistema simples e transparente, entre outras melhorias.

O único caminho que eu vejo para o PIB ganhar um novo impulso é com a aprovação da reforma tributária. Segundo especialistas econômicos, com a aprovação da reforma tributária, a estimativa é ter um aumento no PIB potencial de dez pontos percentuais nos próximos 15 anos. Isso é um grande avanço. De acordo com um estudo feito pelo Centre For Business Taxation, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, para a verificação da incerteza quanto à tributação de pessoas jurídicas em 21 países, o Brasil ficou em penúltimo lugar. Esse resultado é uma expressiva redução do potencial de crescimento do país e uma grande diminuição do poder de compra da população.

E é isso que precisamos reverter. Com a geração de empregos, temos mais rendas, mais liberação de crédito, e com isso, a retomada do consumo, peça fundamental para que a engrenagem da economia volte a girar. O consumidor brasileiro é um elemento importante desse motor. Precisamos decolar. Precisamos trazer de volta a confiança para o mercado brasileiro. Precisamos nos unir para que 2019 termine dando um prumo certeiro para os próximos anos.

*João Carlos Brega, presidente da Whirlpool

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