‘Câmbio, Desligo’ vai atrás de suposto operador de Padilha

‘Câmbio, Desligo’ vai atrás de suposto operador de Padilha

Antônio Claudio Albernaz Cordeiro havia sido preso na 23ª fase da Lava Jato, a 'Xepa'; ele teria recebido R$ 1 milhão para o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha

Roberta Pennafort/RIO, Fábio Serapião/BRASÍLIA, Fausto Macedo e Luiz Fernando Teixeira

03 Maio 2018 | 09h33

 

A Operação ‘Câmbio, Desligo’, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 3, agiu contra Antônio Claudio Albernaz Cordeiro, conhecido como Tonico, em Porto Alegre. Ele já havia sido alvo da 23ª fase da Lava Jato, a ‘Xepa’, mas foi liberado ao fim do período da prisão temporária.

+ Dossiê ‘Câmbio, desligo’

Albernaz teria recebido R$ 1 milhão para o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, sob o codinome ‘Angorá’, segundo delação de Cláudio Melo Filho. No mesmo depoimento, ele cita que a Odebrecht teria efetuado o repasse de outra parte do valor acordado por meio da entrega no escritório do advogado José Yunes, amigo de Michel Temer.

“No caso em concreto o codinome utilizado pelo setor de operações estruturadas para definir Eliseu Padilha nesta operação financeira foi “Angorá”. A título de informação, que reforça a relação de representação entre Eliseu Padilha e Moreira Franco, este último tem o apelido de Gato Angorá”, diz o delator na página 53 do anexo sobre o pagamento dos R$ 4 milhões para Padilha.

O ministro Eliseu Padilha negou qualquer relacionamento. “Não fui candidato em 2014! Nunca tratei de arrecadação para deputados ou para quem quer que seja. A acusação é uma mentira! Tenho certeza que no final isto restará comprovado”, explicou Padilha na época.

A ‘Câmbio, Desligo’ visa desarticular organização criminosa especializada na prática de crimes financeiros e evasão de divisas, responsável por complexa estrutura de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação e ocultação de divisas. São cumpridas 43 ordens de prisão preventiva no Brasil e mais seis no exterior, além de quatro mandatos de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão.

A delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony, resultou na operação. Ambos trabalhavam em esquema que envolvia o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) e revelaram a existência de um sistema chamado Bank Drop, composto por 3 mil offshores em 52 países, e que movimentava US$ 1,6 bilhão. O principal alvo é Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros’.

É a maior ofensiva já desfechada no País contra o mundo dos doleiros. Os maiores operadores do câmbio negro estão sendo presos. Nomes históricos, alguns até então intocáveis, são alvo de mandado de prisão, como a família Matalon, Marco Antônio Cursini, os irmãos Rzezinski e Chaaya Moghrabi.

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