Em leniência, Camargo cita novos executivos de empreiteiras em cartel de Angra 3

Em leniência, Camargo cita novos executivos de empreiteiras em cartel de Angra 3

No acordo com órgão antitruste federal empresa listou 18 nomes ligados a UTC, Odebrecht, Techint, Andrade Gutierrez Queiroz Galvão e EBE que teriam participado do cartel na Eletronuclear

Redação

05 de setembro de 2015 | 05h00

Por Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

Obras de Angra 3. Foto: Eletronuclear

Obras de Angra 3. Foto: Eletronuclear

Enquanto o presidente da Odebrecht e a própria defesa da empreiteira atacam as delações premiadas da Lava Jato chamando de “dedos-duros” os delatores, a empreiteira Camargo Corrêa, por meio de seu acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) revelou ao órgão antitruste federal novos nomes de executivos de outras grandes empresas do País que estariam envolvidos no esquema de cartel para vencer as licitações da usina de Angra 3.

Documento

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O conluio na Eletronuclear já é alvo de uma ação penal na Justiça Federal do Paraná que tem como réus o ex-presidente da estatal, almirante Othon Luiz Pinheiro e outros 13 acusados.

Ao todo, a Camargo Correia apontou ao Cade os nomes de 18 executivos de seis empreiteiras: UTC, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Techint, Queiroz Galvão e EBE que se uniram em consórcio único, chamado Angramon, e venceram as licitações sob suspeita para tocar obras de montagem eletromecânica da usina de Angra 3. Alguns deles já são conhecidos, como o dono da UTC Ricardo Pessoa, e até foram denunciados à Justiça, mas outros ainda não haviam sido citados nos escândalos investigados pela Lava Jato.

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Em seu acordo com o Cade, a Camargo Corrêa descreve em mais de 130 páginas os detalhes dos encontros e acertos entre os executivos para vencer de forma anticompetitiva a licitação de Angra 3. A farta documentação entregue pela empreiteira inclui ainda várias trocas de e-mails e relatos com datas e locais de onde ocorreram as reuniões entre os executivos das empresas concorrentes para, dentre outros, discutir sobre a licitação de Angra 3.

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A Polícia Federal e o Ministério Público Federal vão investigar as informações apresentadas pela Camargo Corrêa em seu acordo de leniência.

 

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO:

“A Queiroz Galvão acredita na idoneidade de todos os seus executivos e reafirma seu compromisso com a ética e a transparência. A companhia nega qualquer pagamento ilícito a agentes públicos para obtenção de contratos ou vantagens e reitera que todas as suas atividades seguem rigorosamente à legislação vigente”.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ:
Por meio de sua assessoria a empreiteira informou que não vai se manifestar sobre o caso

COM A PALAVRA, A EBE:

“A EBE Não tem nenhum executivo envolvido neste processo que está sendo apurado e nem pagou nada a ninguém. Apesar da desistência de algumas empresas do Consórcio Angramon, continuamos no firme propósito de manter o contrato assinado para a montagem de Angra 3. A EBE montou sozinha a Usina Nuclear de Angra 1 e fez parte do consórcio de empresas que montou Angra 2. A empresa tem larga experiência no setor nuclear e continua com o objetivo de honrar o contrato assinado para Angra 3.”

COM A PALAVRA, A TECHINT:

“A Techint Engenharia e Construção reitera que segue padrões internacionais de governança e observa estritamente a legislação brasileira.”

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT:

“A Construtora Norberto Odebrecht informa que nunca participou de cartel para contratação com qualquer cliente público ou privado. A empresa não teve acesso a documentação constante do referido acordo e se manifestará nos autos do processo tão logo tenha acesso às informações em sua integralidade.”

COM A PALAVRA, A UTC:

A empreiteira informou via assessoria de imprensa que não vai se manifestar sobre o caso.

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