Câmara de Itápolis abre comissão para investigar vereador que deu rolezinho com ambulância

Câmara de Itápolis abre comissão para investigar vereador que deu rolezinho com ambulância

Marcelo Martins (PSL) é acusado de usar o veículo da municipalidade para fazer promoção pessoal; em vídeo publicado nas redes sociais, ele usa o alto falante do carro, deita na maca e diz que a ambulância tem 'cheirinho de nova'

Pepita Ortega

24 de abril de 2019 | 12h20

A Câmara Municipal de Itápolis, no interior de São Paulo – município localizado a 368 km da capital -, aprovou na segunda-feira,22, a abertura de uma comissão processante que pode cassar o mandato do presidente da Casa, o vereador Marcelo Martins (PSL). Na quinta-feira, 18, Martins foi entregar, junto com um motorista da prefeitura, uma ambulância em Tapinas, distrito da cidade. O veículo acabou se envolvendo em um acidente e bateu em outro carro.

A representação do presidente do PTB de Itápolis, José Eduardo dos Santos Motta, indica que o vereador teria praticado crime de responsabilidade, ‘pelo uso indevido de bens e serviços públicos’, e quebrou o decoro parlamentar ‘ao sair com ambulância zero pela cidade e distrito de Tapinas’ para fazer promoção pessoal.

Durante a sessão da Câmara desta segunda, 22, Martins se manifestou sobre o caso, dizendo que encomendou a ambulância para o povo e esperou mais de um ano para que o veículo chegasse.

“Fiquei feliz e queria mostrar pra todo mundo a ambulância. Ela estava num local público e eu simplesmente dei divulgação”, afirma.

Martins diz que o prefeito também havia falado sobre a chegada do veículo, sem mencionar a emenda impositiva do vereador, utilizada para comprar a ambulância.

Os vereadores Edmércia Micheletti (PSB), Tonicão D’Agostino (PSDB) e Miriana Amatto (PR) vão compor a comissão processante e terão 90 dias para analisar documentos e apresentar parecer de cassação do mandato ou absolvição do vereador.

Documento

Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador ‘entrega a ambulância ao distrito de Tapinas’. Martins usa o alto falante do veículo, deita na maca diz que a ambulância tem ‘cheirinho de nova’.

Martins ressalta que o veículo foi comprado com o dinheiro de sua emenda impositiva, e destinada especificamente a Tapina, porque o distrito é ‘desvalorizado pelo poder público’ e os moradores, nas redes sociais, diziam que precisavam de uma ambulância.

“É com muito amor, alegria e emoção que realizei esse sonho” diz.

Martins diz que quando recebeu a ligação do secretário de finanças, foi até a central de ambulâncias da cidade, onde esperou pela chegada do motorista do veículo. O vereador ressalta que não dirigiu a ambulância e que o funcionário teria pedido autorização para seu superior para ir até Tapinas.

Já a representação indica que Martins teria ‘dado uma carteirada’, ‘maltratado’ e ‘ludibriado’ os funcionários públicos que trabalham na central, ‘afirmando que como havia dado a ambulância poderia fazer o que quiser com o referido bem’.

Sobre a colisão, o vereador contou que o motorista estava dando ré no veículo, para estacionar quando um carro ‘raspou a lateral’ do ambulância, fazendo um ‘risco’. “Acabou meu dia naquele momento, esperei tanto”, diz.

Martins diz que enxergou o acontecido como um detalhe e que pagaria pelo dano a ambulância. “Não consigo me importar com mínimas coisas dentro de uma grandiosidade. Um risco não vai impedir a ambulância de andar”

Ele ressalta que não tem culpa do acontecido, assim como o motorista da ambulância e o condutor do outro veículo: “ninguém quer bater numa ambulância”. Ele conta ainda que o veículo foi levado então até uma funilaria, onde um profissional “passou uma massinha pra ficar mais brilhoso”.

No documento apresentado à Câmara, o vereador que preside o PTB de Itápolis, José Eduardo Motta diz que o vereador ‘orientou e pediu para o motorista não registrar ocorrência policial, pois como Presidente da Câmara resolveria a questão’.

Segundo o vereador, assim que chegou à central de ambulâncias, o motorista contou o que tinha acontecido para seu supervisor. Martins diz que também reportou o ocorrido para o diretor da Câmara.

“Nunca imaginei que iriam focar no caminho que a ambulância fez, no combustível, no risco e não na conquista que o veículo é pra cidade, pro distrito que tanto necessita. Há quanto tempo não chega uma ambulância assim? É quase uma uti.”, afirma.

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