Câmara cassa prefeito tucano de Mongaguá, preso com fortuna no guarda-roupa

Câmara cassa prefeito tucano de Mongaguá, preso com fortuna no guarda-roupa

Decisão tomada por maioria dos vereadores tira do cargo Artur Parada Prócida, do PSDB, flagrado em maio na Operação Prato Feito, da Polícia Federal, com R$ 4,6 milhões e mais US$ 216,7 mil em dinheiro vivo empilhado em sua residência; vice 'Márcio Cabeça', atual chefe do Executivo, também foi cassado

Julia Affonso e Fausto Macedo

17 de agosto de 2018 | 12h24

Após quase nove horas e meia de debates e votação, os vereadores da Câmara de Mongaguá, no litoral paulista, aprovaram por maioria, na madrugada desta sexta-feira, 17, a cassação do prefeito Artur Parada Prócida (PSDB) e do vice Márcio Melo Gomes, o ‘Márcio Cabeça’, atual chefe do Executivo municipal.

Em maio, na Operação Prato Feito, a Polícia Federal prendeu Prócida, que mantinha oculta uma fortuna em dinheiro vivo em um guarda-roupa em sua casa – R$ 4.613.610 e mais US$ 216.763, cédulas empilhadas organizadamente. O tucano continua preso.

Ele alegou à PF que a dinheirama tinha origem em ‘sobras de campanha’ e ‘doação do pai’.

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A sessão extraordinária 3/2018 foi iniciada às 15 horas desta quinta, 16, com a presença de todos os 13 vereadores da Casa. O vereador Guilherme Prócida, filho do prefeito e parte interessada nos processos, teve a liminar que permitia sua participação suspensa após duas decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo, informou a Câmara.

Foi convocado o suplente, Pedro Eduardo Carvalho Homem, o ‘Dr. Pedro’, para ocupar a função exclusivamente nas votações das seis Comissões Processantes.

Foto de aproximadamente R$ 4,6 milhões e US$ 217 mil, apreendidos na residência de Artur Prócida em Mongaguá/SP. CRÉDITO: PF

Com a cassação, a Câmara emitiu Decreto Legislativo sobre a decisão dos vereadores, dando ciência à Justiça Eleitoral sobre a vacância dos dois cargos do Executivo. O decreto também será protocolado na prefeitura.

O presidente da Câmara, Rodrigo Biagioni, o Rodrigo Casa Branca (PSDB), ao assumir a prefeitura, dará andamento ao pedido de novas eleições municipais.

A denúncia que culminou na cassação de Prócida e de ‘Márcio Cabeça’ tem como base a Operação Prato Feito, deflagrada em maio pela Polícia Federal.

A investigação põe sob suspeita pelo menos 30 prefeituras paulistas por fraudes. Treze prefeitos são investigados, além de quatro ex-prefeitos, 27 funcionários públicos, um vereador e 29 empresas. Também são alvo da PF e do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União secretários municipais e lobistas.

A PF pediu a prisão de 62 investigados, mas a Justiça Federal autorizou em maio apenas buscas.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem está tentando contato com a defesa de Artur Parada Prócida e ‘Márcio Cabeça’. O espaço está aberto para manifestação.

À Polícia Federal, quando foi preso, o tucano disse que a fortuna no guarda-roupa tinha origem em ‘sobras de campanha’ e ‘doação do pai’.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE MONGAGUÁ

A reportagem fez contato com a prefeitura de Mongaguá e aguarda manifestação.

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