Caixa afirma que vai investigar publicidade

Caixa afirma que vai investigar publicidade

Em nota, instituição anuncia abertura de apuração sobre 'fatos revelados pela Polícia Federal'

Redação

10 Abril 2015 | 12h46

Atualizada às 17h07

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A Caixa Econômica Federal informou nesta sexta feira, 10, que abrirá uma investigação interna sobre as denúncias divulgadas pela Polícia Federal de repasses ilícitos de agência de publicidade contratada pela instituição para o ex-deputado petista André Vargas, preso pela Operação A Origem, 11.ª etapa da Lava Jato. Em nota, a Caixa reiterou que vai colaborar “integralmente” com as investigações.

Caixa Econômica Federal anunciou que vai investigar denúncias da PF. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Caixa Econômica Federal anunciou que vai investigar denúncias da PF. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A PF identificou “padrão semelhante” com o esquema do mensalão envolvendo agências de publicidade ligadas a Vargas. As agências subcontratavam produtoras do ex-petista. O bônus de 10% que deveria ser direcionado pelas produtoras para as agências de publicidade acabava pulverizado em propinas para políticos. No mensalão o mesmo procedimento foi adotado para repassar valores para parlamentares da base de apoio ao governo Lula.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a agência de publicidade Borghierh Lowe Propaganda e Marketing Ltda., que administra contas publicitárias de entidades públicas como a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde, teria contratado serviços das empresas E-noise, Luis Portela, Conspiração, Sagaz e Zulu Filmes para a realização de serviços.

André Vargas. Foto: André Dusek/Estadão

André Vargas. Foto: André Dusek/Estadão

Essa agência teria solicitado pagamentos de comissões de bônus de volume nas contas das empresas Limiar e LSI, controladas por André Vargas e seus irmãos. Na nota de esclarecimento, a Caixa destacou que vai encaminhar “todos os contratos relacionados às empresas citadas à Controladoria Geral da União (CGU), Polícia Federal e Ministério Público Federal”.

O Ministério da Saúde informou que, a partir das informações reveladas pela PF, abriu apuração interna para analisar as denúncias de irregularidades e avaliar as medidas cabíveis. 

“Em relação à contratação de agências de publicidade, o Ministério esclarece que os contratos para a realização de campanhas de utilidade pública cumprem todos os requisitos exigidos na legislação de licitação (Nº 8.666 de 21 de junho de 1993). A última concorrência pública ocorreu em 2010 e selecionou quatro agências. Os contratos têm vigência de um ano, podendo ser renovado por até cinco anos”, diz a nota.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE ESCLARECIMENTO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

“A Caixa Econômica Federal informa que abrirá apuração interna para averiguar os fatos revelados hoje pela Polícia Federal no âmbito da investigação da Operação Lava Jato. A CAIXA reitera que colaborará integralmente com as investigações e informa que encaminhará imediatamente todos os contratos relacionados às empresas citadas à Controladoria Geral da União, Polícia Federal e Ministério Público.”

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

“Esclarecimento sobre a operação Lava Jato

O Ministério da Saúde informa que não firmou contrato com a empresa Labogen. Em todas as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, a relação do Ministério é com os laboratórios oficiais, que podem buscar parceiros privados. Em 2013, ao tomar conhecimento do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava-Jato, o Ministério imediatamente suspendeu o termo de compromisso selado com o Laboratório da Marinha, antes mesmo da assinatura de contrato ou de qualquer repasse de recursos públicos. Isso significa que a proposta envolvendo a Labogen sequer passou da fase do cumprimento dos requisitos para assinatura de contrato.

Em relação à contratação de agências de publicidade, o Ministério esclarece que os contratos para a realização de campanhas de utilidade pública cumprem todos os requisitos exigidos na legislação de licitação (Nº 8.666 de 21 de junho de 1993). A última concorrência pública ocorreu em 2010 e selecionou quatro agências. Os contratos têm vigência de um ano, podendo ser renovado por até cinco anos.

A partir das informações reveladas pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (10), o Ministério da Saúde abriu apuração interna para analisar as denúncias de irregularidades e avaliar as medidas cabíveis.

Ainda, as informações dos contratos de publicidade, do período em análise pela Polícia Federal, serão encaminhadas para a Controladoria Geral da União e Polícia Federal e ficarão à disposição dos demais órgãos de controle, como Tribunal de Contas da União e Ministério Público, para reforçar as medidas de controle e auxiliar nas investigações.

O Ministério da Saúde está à disposição da Polícia Federal e demais órgãos de controle para quaisquer esclarecimentos sobre os processos da Labogen e da empresa de publicidade.”

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