‘Cadeia faz mal para a alma’, diz Duque

‘Cadeia faz mal para a alma’, diz Duque

Ex-diretor da Petrobrás, que faz acareação na CPI da Petrobrás, está preso desde 16 de março na Lava Jato

Redação

02 de setembro de 2015 | 12h52

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Duque (à direita) e Vaccari (ao centro) fazem acareação com Augusto Mendonça (à esquerda). Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Preso desde 16 de março na Operação Lava Jato, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque disse nesta quarta-feira, 2, à CPI que investiga corrupção na estatal petrolífera, que a cadeia ‘faz mal para a alma’. A afirmação foi feita após um deputado observar que ele aparentava estar em bom estado físico.

“Deputado, a cadeia não faz mal para o corpo, faz mal para a alma”, disse Duque.

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O ex-diretor participa de uma acareação com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e com o empresário Augusto Mendonça, um dos delatores da Lava Jato. Duque acusou Mendonça de mentir em sua delação premiada.

“Ele é um mentiroso esquecido”, afirmou o ex-diretor da estatal após Mendonça ser questionado sobre pagamentos de propina a ele.

Duque é apontado como elo do PT no esquema de pagamento de propinas na estatal petrolífera. Ele teria sido indicado ao cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), preso em 3 de agosto na Operação Pixuleco, desdobramento da Lava Jato.

O ex-diretor da Petrobrás foi preso após a Polícia Federal flagrar a tentativa do executivo de ocultar patrimônio não declarado na Suíça por meio, por exemplo, da transferência de 20 milhões de euros para uma conta no Principado de Mônaco.

Duque insistiu no silêncio durante a acareação. Ele reiterou mais de uma dezena de vezes a frase. “O sr. Augusto é um mentiroso contumaz.”

Um deputado disse a Duque que ele ‘parecia ansioso’ para falar. “Abra o seu coração para o Brasil”, sugeriu o parlamentar. “Por orientação do meu advogado vou permanecer em silêncio”, esquivou-se o prisioneiro da Lava Jato.

Na sessão de acareação, o deputado Bruno Covas (PSDB/SP) perguntou a Augusto Mendonça se ele confirmava que Duque lhe pediu que fizesse ‘contribuições’ ao PT abatidas do saldo de propinas destinadas ao então diretor de Serviços. “Confirmo”, respondeu Mendonça que reiterou ter se encontrado com João Vaccari Neto na sede do PT, em São Paulo.

“Vou permanecer em silêncio, se isso fosse verdade eu faria diretamente, não precisaria dele (Mendonça). Se eu tivesse que tirar propina do meu bolso o faria diretamente, não precisaria dele”, disse Renato Duque, acusado formalmente pela força-tarefa da Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro.

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