Cada grupo se agarra ao que é ‘mais conveniente’, diz Barbosa sobre Comissão do Impeachment

Cada grupo se agarra ao que é ‘mais conveniente’, diz Barbosa sobre Comissão do Impeachment

Para ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ‘isso é constrangedor’; “onde estão os 'libre penseurs' desse imenso e belo país?”, questiona

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

06 de maio de 2016 | 07h00

Joaquim Barbosa. Foto: André Dusek/Estadão

Joaquim Barbosa. Foto: André Dusek/Estadão

Ao longo desta quinta-feira, 5, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa conversou com seus seguidores no Twitter. No dia em que o ministro Teori Zavascki afastou do mandato o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e, por consequência, da liderança da Câmara, e a Comissão Especial do Senado analisou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro Joaquim Barbosa escreveu mais de 50 mensagens.

O primeiro texto foi postado às 11h32, um elogio à decisão de Teori, que afastou Cunha da Câmara. Em sua avaliação, medida ‘corajosa’. Durante a tarde, o ex-ministro criticou os senadores da Comissão Especial do Impeachment. Os parlamentares discutiram nesta quinta o parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG), favorável ao impedimento da presidente.

“Eu adoraria, por exemplo, que o Senado brasileiro, antes de tomar uma decisão de tamanha gravidade e de consequências tão extraordinárias e ainda largamente desconhecidas, ouvisse gente do porte de José Murilo de Carvalho, Paulo Bonavides, Lilian Schwartz, Mary del Priore. Gente capaz de pensar o Brasil e a sociedade brasileira em profundidade. Excelentes profissionais até agora se manifestaram, uns em defesa de um polo da discussão, outros em defesa do outro polo”, afirmou.

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“A meu ver, os senadores não os estão ouvindo. Cada grupo se agarra à posição que lhe é mais conveniente. A coisa está mais ou menos assim: Se você defendeu o meu ponto de vista, sua exposição foi genial! Gente, isso é constrangedor! Eu pergunto: onde estão os “libre penseurs” desse imenso e belo país?”

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Joaquim Barbosa continuou a escrever. “Muitos a esta altura já devem estar pensando que eu tomei uma posição na discussão em curso. Enganam-se. Dou uma pista. Minha posição encontra-se nas entrelinhas da intervenção feita há pouco pela ótima senadora Simone Tebet. O que disse ela? Ela “abriu o verbo” contra o deputado Eduardo Cunha, por tê-la privado de poder discutir a integralidade das acusações feitas à PR (presidente da República”, afirmou o ex-ministro.

“Em suma: fundamentalmente, penso que a discussão está fora de foco, deslocada. Desde o início. E isso foi proposital. Pergunto: Por que dentre as inúmeras acusações feitas à PR se decidiu escolher precisamente esta? Por que se deliberou deixar de lado as devastadoras revelações da chamada operação “lava-a-jato”? Procure saber.”

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