Cacau vai às redes e reage contra ‘aquela gorda, preta, numa farda de bombeiro, bucha de canhão daquela’

Cacau vai às redes e reage contra ‘aquela gorda, preta, numa farda de bombeiro, bucha de canhão daquela’

Hostilidades e baixarias de bombeiro do Rio via WhatsApp provocaram forte reação e solidariedade à atriz Cacau Protásio, que respondeu: 'Eu sou negra, sou gorda, sou brasileira, sou atriz'

Redação

28 de novembro de 2019 | 12h36

A atriz Cacau Potásio. Foto Reprodução / Instagram

A atriz Cacau Protásio se manifestou sobre os ataques racistas que recebeu de bombeiros após gravar cenas de um filme no Rio, no último domingo, 24. “Eu conto histórias. Aquilo ali é ficção não é realidade. Ele (bombeiro) espalhou o vídeo com um áudio, me chamando de negra, gorda, filha da puta, aquela cambada de viado”, contou a atriz em um dos quatro vídeos que postou em seu Instagram comentando o episódio.

“Eu sou negra, sou gorda, sou brasileira, sou atriz. Eu conto histórias, eu conto ficção eu não mereço ser agredida, assim como nenhuma pessoa”, disse Cacau em reação às ofensas.

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Em áudio divulgado pelo jornalista Leo Dias, do UOL, nesta terça, 26, um dos bombeiros diz: “Vergonhoso. Mete aquela gorda, preta, filha da puta numa farda de bombeiro, uma bucha de canhão daquela, com um monte de bailarino viado, quebrando até o chão. Vão achar que é o quê? Bombeiro? Aquilo é tudo viado, parceiro. Lamentável.”

“Como uma pessoa que veste uma farda tão linda tem essa postura? Como posso dizer que ele salva vidas, que ele faz o amor, tendo essa postura e falando tanta coisa horrorosa, ofendendo?”, protesta a atriz em outro momento do vídeo gravado sobre os xingamentos.

O vídeo e o áudio começaram a circular no WhatsApp após um bombeiro registrar a gravação de uma das cenas do filme ‘Juntos e Enrolados’ no Batalhão de Bombeiros do Rio.

Na produção Cacau interpreta uma sargento.

“Racismo é crime. Você pode não gostar, mas você tem que respeitar” disse a atriz no Instragram.
Após a gravação das cenas, a atriz chegou a compartilhar, em suas redes sociais, fotos agradecendo o Corpo de Bombeiros do Rio pela recepção.

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Segundo a atriz, o vídeo que teria motivado as ofensas racistas apresenta um trecho de uma cena sobre um sonho de seu superior. Em um vídeo que circula nas redes sociais a atriz aparece dançando ao lado de bailarinos caracterizados.

“A cena é uma alucinação de um personagem e quando ele volta eu estou ali trabalhando”, indicou a atriz em seu Instagram.

Cacau conta ainda que recebeu outros ataques do episódio. “Eu printei tudo que foi colocado na minha página. Tem uma menina no facebook super falando mal, postou uma foto minha de farda e os coleguinhas detonando. Tudo isso eu printei”.

A advogada Mônica Sapucaia Machado indica que o caso deve ser tipificado como injúria racial, mas sinaliza que, dependendo das condições do episódio, pode-se considerar como crime não só o ato de gravação do áudio que ofende a atriz, mas também os compartilhamentos do arquivo que reafirmaram a conduta criminosa.

Mônica indica ainda que a resposta do Corpo de Bombeiros é fundamental para a questão. “Quando vemos um representante do Estado publicizar ofensas racistas percebemos como Estado ainda não introjetou seus valores nas suas próprias estruturas. Cabe à corporação investigar e punir os envolvidos de forma exemplar, a fim de garantir a sociedade que a instituição como um todo não é convivente com a prática do crime de racismo e a Justiça julgar a conduta em si”.

Em nota, o Corpo de Bombeiros do Rio registrou que os atos divulgados não representam a corporação, que ‘não compactua com qualquer ato discriminatório’.

A corporação indicou ainda que abriu ‘procedimento interno’ para apurar o caso.

COM A PALAVRA, O CORPO DE BOMBEIROS

“O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) informa que não compactua com qualquer ato discriminatório. A corporação se solidariza com a atriz Cacau Protásio e já abriu procedimento interno para identificar o(s) militar(es) e apurar a conduta.
O CBMERJ reforça o seu compromisso com a população de Vida Alheia e Riquezas Salvar independente de cor, gênero, raça ou qualquer outra distinção. Os atos divulgados não representam a corporação centenária que, por anos seguidos, é considerada a instituição mais confiável do Brasil.”

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