Cabral recebia propina desde os tempos de deputado estadual, afirma delator

Cabral recebia propina desde os tempos de deputado estadual, afirma delator

Álvaro Novis, doleiro, entregou à Procuradoria como parte do acordo de colaboração premiada uma planilha de lançamentos de valores ilícitos que teriam sido destinados ao ex-governador do Rio a partir de quando exercia mandato de deputado estadual; ele ocupou o cargo entre 1991 e 2003

Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

05 de julho de 2017 | 05h00

Sérgio Cabral deixa Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/Agência O Globo

O delator Álvaro Novis, cujo relato embasou a Operação Ponto Final, entregou uma planilha ao Ministério Público Federal que aponta o pagamento de R$ 260 milhões em propinas a políticos, entre eles, o ex-governador Sérgio Cabral. O documento indica que Cabral recebia propinas havia 26 anos, desde os tempos de deputado estadual, entre 1991 e 2003, segundo o doleiro.

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A planilha revela pagamentos sob os codinomes ‘verde’, ‘abacate’, ‘CM’ e ‘Super’, que, de acordo com Novis, são referentes a valores repassados ao suposto homem da mala do ex-governador, Carlos Miranda, condenado na Lava Jato.

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Em troca de propina, o esquema criminoso de Cabral espalhou benefícios a empresas de ônibus, como a autorização para reajustes das tarifas e isenções no pagamento de IPVA dos coletivos e ICMS do diesel, revelam as investigações do Ministério Público Federal.

A cifra movimentada entre 2010 e 2016 chegaria a R$ 500 milhões. Cabral teria recebido repasses até novembro do ano passado, quando foi preso pela Operação Calicute, segundo sustenta a Procuradoria da República.

De acordo com as investigações, que levaram em conta a delação de Novis, entre 2010 e 2016 o ex-governador Sérgio Cabral recebeu R$ 122,85 milhões em propinas.

A planilha do doleiro aponta pagamentos ao peemedebista desde quando exercia o mandato de deputado estadual. Novis também acusou repasses a empresários, notadamente pagamentos a José Carlos Lavouras, Lélis Marcos Teixeira, João Augusto Monteiro e Jacob Barata Filho, o ‘rei do ônibus’.

Em colaboração com as autoridades, o doleiro afirmou ‘que os pagamentos a Carlos Miranda eram destinados a Cabral’.

Os repasses teriam beneficiado o peemedebista desde os tempos em que ocupou cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (1991-2003).

O delator ainda relatou que da conta intitulada F/SABI, pertencente à Federação de Empresas de Transportes do Estado do Rio de Janeiro – cujo presidente, Lélis Teixeira, acusado de receber propinas, está preso – , eram disponibilizados créditos a ‘Carlos Miranda’.

Álvaro Novis afirmou ‘que os valores sob codinomes CM, Abacate, Verde/SMS e Super saíram da conta’ atribuída aos pagamentos de propina a Calos Miranda, em nome de Cabral.

A suposta relação entre Miranda e Sérgio Cabral já havia sido identificada pela Operação Lava Jato.

O peemedebista e seu homem forte foram condenados por corrupção e lavagem de dinheiro de pelo menos R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez, entre 2007 e 2011, referente às obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás.

Cabral pegou 14 anos e 2 meses e Miranda foi sentenciado a 10 anos de prisão.

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