Cabral nega interferência em obras da Petrobrás

Cabral nega interferência em obras da Petrobrás

O diretor da Odebrecht Rogério Araújo, preso há quatro dias, informa em e-mail a quatro executivos a inclusão da empresa no consórcio que seria contratado para a obra do Comperj

Redação

22 de junho de 2015 | 18h36

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Por Luciana Nunes Leal, do Rio

O ex-governador Sérgio Cabral negou que tenha agido para incluir a Odebrecht no consórcio que fechou contrato de R$ 11,5 bilhões com o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, cidade na região metropolitana. A obra contratada era a construção do ciclo de água e utilidades do complexo industrial.

“O ex-governador Sérgio Cabral jamais interferiu em quaisquer obras da Petrobrás, inclusive as do Comperj. No que diz respeito ao abastecimento de água, o governo do Estado do Rio de Janeiro tem como empresa responsável a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos). Todos os assuntos relativos ao abastecimento de água para empresas e residências no governo Sérgio Cabral foram tratados diretamente pela Cedae”, afirmou Cabral em nota.

Pezão, à esquerda, e Cabral. Foto: Marcos de Paula/Estadão - 4/4/2014

Pezão, à esquerda, e Cabral são investigados na Lava Jato. Foto: Marcos de Paula/Estadão – 4/4/2014

O diretor da Odebrecht Rogério Araújo, preso há quatro dias, informa em e-mail a quatro executivos a inclusão da empresa no consórcio que seria contratado para a obra do Comperj. O acerto teria tido a participação de Cabral e do presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira.

A Cedae respondeu que o tema do e-mail refere-se a “questões internas” do Comperj. “Em 2007, não havia ainda previsão de fornecimento de água direto pela Cedae ao Comperj. Portanto, o que se relata neste e-mail são assuntos tratados pelo empreendedor (Petrobrás) com possíveis fornecedores, sem nenhuma relação com a Cedae.

O assunto tratado, objeto do e-mail, é referente a questões internas do Comperj, voltadas à construção do Sistema de Utilidades (unidade de geração de vapor e energia, tratamento de água industrial e efluentes)”, diz a nota.

Segundo a Cedae, em 2007, a relação do governo do Estado com o Comperj estava ligada a incentivos fiscais e medidas compensatórias para municípios afetados pela obra.  Gouvêa Vieira negou interferir nos contratos.

“Sou presidente da Firjan, onde são debatidos os temas de importância estratégica para o Rio de Janeiro. É evidente que mantenho interlocução permanente com as principais lideranças políticas do Estado e do País. O governador Cabral sempre foi um desses interlocutores. Uma coisa, porém, é certa: jamais tratei de interesse desta ou daquela empresa no Comperj com o ex-governador. Meu nome foi citado numa troca de e-mails de terceiros e sou agora indagado a respeito. Tenho horror a bandalheira. Estou entre os que apoiam as investigações em curso no País desde a primeira hora. Elas estão em linha com meu desejo de um Brasil ético e transparente. A simples menção a meu nome em meio ao contexto de toda a lama trazida à tona pela Lava Jato é ultrajante”, disse presidente da Firjan em nota.

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