Cabral e Pezão viram réus por propinas no Metrô

Cabral e Pezão viram réus por propinas no Metrô

O MP-RJ acusa Pezão de fazer, em 2015, um aditivo contratual das obras da linha 4 do Metrô do Rio, pagando mais R$ 852 mil à construtora Odebrecht como retribuição por doações feitas e não declaradas à Justiça Eleitoral para a campanha de Pezão em 2014, além de propinas para o grupo

Fábio Grellet/RIO

02 de abril de 2019 | 21h19

Na foto, Sérgio Cabral Filho (D), passava o cargo para o vice, Luiz Fernando Pezão (E), durante cerimônia realizada no Palácio Guanabara, sede do governo, em Laranjeiras, na zona sul do Rio. Foto: MARCOS DE PAULA/ESTADÃO

Os ex-governadores do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, ambos do MDB, se tornaram réus de uma ação civil pública ajuizada na segunda-feira (1) pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Também são processados Hudson Braga, coordenador da campanha de Pezão para o governo do Rio em 2014, e Renato Pereira e a agência Prole, responsáveis pela publicidade do então candidato a governador.

O MP-RJ acusa Pezão de fazer, em 2015, um aditivo contratual das obras da linha 4 do Metrô do Rio, pagando mais R$ 852 mil à construtora Odebrecht como retribuição por doações feitas e não declaradas à Justiça Eleitoral para a campanha de Pezão em 2014, além de propinas para o grupo.

Segundo o MP-RJ, a arrecadação de recursos seria liderada por Cabral com o objetivo de garantir a permanência de seu grupo político à frente do Executivo fluminense, perpetuando o esquema de corrupção comandado por ele. Ao autorizar o 4º termo aditivo ao contrato das obras do metrô, que custaram no total R$ 9,6 milhões, Pezão não teria se baseado em razões técnicas ou econômicas, mas sim na necessidade de atender aos interesses econômicos dos grupos empresariais, dentre eles a Odebrecht, componentes do consórcio da Linha 4 do Metrô carioca, em troca dos benefícios recebidas anteriormente.

O MP-RJ pede à Justiça a condenação dos cinco réus como incursos na Lei nº 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa), além da concessão de liminar para decretar a indisponibilidade de bens de Pezão, Barbosa, Braga e da Prole Serviços de Propaganda Ltda. até o valor total de R$ 81,2 milhões cada, correspondente aos R$ 20,3 milhões recebidos ilicitamente por conta da campanha a governador do Estado de Pezão, em 2014, acrescido de três vezes esse valor (R$ 60,9 milhões), a título de multa.

A reportagem procurou representantes dos acusados, na noite desta terça-feira (2), mas não havia conseguido contato com eles até as 21h.

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