Cabral e Pezão juntos outra vez, agora na prisão

Cabral e Pezão juntos outra vez, agora na prisão

Juiz da Lava Jato Rio Marcelo Bretas reconhece ser 'notória' a mudança de conduta do ex-governador, condenado a 233 anos de reclusão, e autoriza sua transferência para a Unidade Prisional da PM em Niterói, onde o ex-vice já está recolhido

Paulo Roberto Netto

03 de outubro de 2019 | 16h01

Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão comemoram vitória nas urnas de 2010. Foto: Marcos Arcoverde / Agência Estado

O juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, autorizou o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) a deixar o presídio de Bangu 8, onde cumpre pena desde 2016. O magistrado atendeu pedido da defesa e Cabral será transferido para a Unidade Prisional da PM em Niterói, onde o também ex-governador Luiz Fernando Pezão está aprisionado desde novembro de 2018.

Documento

Em pedido a Bretas, a defesa de Cabral alegou ‘comportamento carcerário exemplar’ e o risco que o ex-governador enfrenta por ‘desagradar inúmeras pessoas, inclusive dentro da própria unidade prisional’ por confessar delitos durante sua gestão.

Sérgio Cabral já está condenado a 233 anos e onze meses de prisão. Ele governou o Rio por dois mandatos, entre 2007 e 2014. Pezão foi seu vice e assumiu o governo quando Cabral renunciou, em abril de 2014, para concorrer ao Senado, mas acabou desistindo.

Em novembro de 2016, o ex-governador foi preso na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, por ordem do juiz Bretas.

Sufocado por tantas condenações, e réu em outras ações ainda em curso, Cabral decidiu mudar a estratégia de defesa e passou a confessar ilícitos em seus mandatos no Palácio Guanabara.

Em audiência com Bretas, em fevereiro deste ano, Cabral declarou. “Apego ao poder e ao dinheiro é um vício.”

Os advogados de Cabral também pediram que ele não seja transferido no ‘xadrez’ da viatura devido à ‘nova postura adotada pelo acusado’.

Em sua decisão, Bretas ressalta ser ‘notório’ que o ex-governador tenha adotado uma postura colaborativa com as investigações e que tal ação ‘pode gerar certas animosidades dentro do ambiente carcerário’.

“Não obstante não haja certeza quanto à existência de riscos/ameaças à integridade física do requerente, entendo que a suspeita de eventuais riscos à segurança do preso, aliado ao temor relatado pelo acusado e a sua nova postura, são suficientes para justificar a transferência para outra unidade prisional”, pondera o juiz da Lava Jato Rio.

Alegando coerência com decisões semelhantes, em especial no caso de Luiz Fernando Pezão, que ao ser preso foi levado para a Unidade Prisional da PM ao invés de outro presídio, Bretas decretou a transferência de Cabral para o mesmo endereço.

O juiz também afirmou não ter oposição ao deslocamento de Cabral em ‘local diverso do ‘xadrez’ da viatura policial’, mas deixou a decisão final por conta da Polícia Federal, que deverá ‘avaliar e decidir a respeito do local mais adequado do transporte do preso’.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: