Cabral diz que tinha ‘recomendação militar’ para ir a Mangaratiba no helicóptero oficial

Cabral diz que tinha ‘recomendação militar’ para ir a Mangaratiba no helicóptero oficial

Magro, vestindo camiseta branca de mangas curtas, ex-governador do Rio preso desde novembro depôs por videoconferência em ação popular que investiga uso excessivo de aeronave durante seus mandatos (2007/2014)

Julia Affonso e Mateus Coutinho

22 de fevereiro de 2017 | 15h15

Sérgio Cabral. Foto: Brunno Dantas /TJRJ

Sérgio Cabral. Foto: Brunno Dantas /TJRJ

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) admitiu em audiência no Tribunal de Justiça do Rio ter viajado de helicóptero oficial a Mangaratiba, no litoral sul fluminense, onde possui casa de férias. O peemedebista alegou que fazia os deslocamentos com a aeronave do governo por ‘recomendação militar’.

Cabral depôs nesta terça-feira, 21, em ação popular que apura excessos no uso da aeronave durante seus mandatos (2007/2014).

As informações foram divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Rio. A ação número 0256088-18.2013.19.0001 tem como autor o procurador aposentado Cosmo Ferreira.

Magro, usando camiseta branca de mangas curtas, Sérgio Cabral falou por videoconferência de uma salinha do presídio de Bangu, onde está recolhido desde que a Operação Lava Jato o pegou, em novembro de 2016.

O ex-governador alegou que tinha ‘recomendação do gabinete militar’ para viajar de helicóptero por questões de segurança e declarou não se lembrar de autorizar viagens para outras pessoas.

O peemedebista afirmou que foi o primeiro governador a aprovar um decreto para regularizar o uso de helicópteros, em agosto de 2013.

Além dele foram ouvidas quatro testemunhas. O depoimento da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, também presa em Bangu, foi dispensado pelo autor da ação popular.

O subsecretário de Operações Aéreas, coronel Marcos Cezar Costa de Oliveira, afirmou que recebia da assessoria do ex-governador as informações sobre destino e quantidade de passageiros. Oliveira declarou ‘não se recordar’ do uso da aeronave para fins particulares.

O subsecretário militar da Casa Civil, coronel Fernando Messias Paraíso, relatou que havia informações de ameaças contra o peemedebista e a família. Paraíso acrescentou que um levantamento da equipe de segurança, na época, concluiu que era ‘mais econômico’ o uso da aeronave do que a comitiva de carro.

Foram ouvidos também, como testemunhas, dois pilotos do helicóptero que transportava Sérgio Cabral e a família. Um deles contou que, às vezes, era utilizada mais de uma aeronave por causa do ‘número de pessoas ou diferença de horários de viagem da comitiva do ex-governador’.

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, os autos do processo seguem para a apreciação da prova pericial requerida pelo autor da ação popular e pelo Ministério Público.

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